EFE
PARIS - Os problemas de doping no futebol são conhecidos há dez anos, segundo o hematologista e especialista em doping Gérard Dine, que considera 'lógico' o fato de a 'operação Puerto' não afetar somente o ciclismo'.
As afirmações do especialista aparecem na edição desta sexta-feira do jornal 'Le Monde', a mesma publicação que nesta quinta-feira revelou que o médico Eufemiano Fuentes, principal implicado na 'operação Puerto', tinha contribuído para planejar a temporada esportiva 2004-2005 de Real Madrid, Barcelona, Valência e Bétis.
Dine, que participou como especialista nos julgamentos por doping no futebol italiano, disse que suas investigações o permitiram chegar à conclusão da existência de 'doping medicativo e sanguíneo'
com 'provável' presença de EPO, e lembrou que, apesar de apenas a Juventus ter sido condenada, inicialmente havia vários clubes implicados.
Outros jornais também tratam hoje do assunto, começando pelo esportivo 'L'Equipe', que estampa em sua primeira página a manchete "A sombra de um escândalo'.
Após afirmar que o doping demonstrou não respeitar 'fronteiras geográficas ou esportivas', o jornal pede uma investigação profunda do assunto, porque 'o futebol não pode permitir o silêncio ou o imobilismo'.
Além disso, a publicação sustenta que estas revelações deixam a Fifa em uma situação constrangedora, já que a entidade se distanciou do restante das federações na luta contra o doping, apesar de vários sinais de alerta, como 'as transformações físicas surpreendentes de certos jogadores, as tendências ao excesso de medicação e os comportamentos agressivos e desproporcionais similares aos do consumo de testosterona ou estimulantes'