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Quando o Rio virou palco da NBA

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Por PEDRO RODRIGUES

Uma enorme estrutura da NBA foi erguida na Praia de Ipanema para o Global Games em 2014

Neste fim de semana a NFL, Liga de Futebol Americano, faz seu primeiro jogo no Rio de Janeiro. O Maracanã abre as portas no domingo (27), às 17h25, para o duelo entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys. Será a terceira vez que a NFL realiza um jogo no Brasil — as duas primeiras foram em São Paulo. O jogo é uma grande atração, mas tudo em volta — ativações de marketing, fluxo de turistas — é muito mais divertido e, de certa forma, mais marcante para quem consegue estar na cidade na semana do evento.

Como o papo aqui é basquete, não tem como não lembrar das três vezes que a NBA fez um jogo por aqui. Todas elas aconteceram no Rio. Os NBA Global Games no Rio foram inesquecíveis para quem conseguiu acompanhar aqueles já distantes anos de 2013, 2014 e 2015. Vamos relembrar estes três jogos:

2013 — Chicago Bulls 83 x 81 Washington Wizards
12 de outubro de 2013 — Arena da Barra, Rio de Janeiro

Foi o primeiro jogo da NBA realizado no Brasil e também o primeiro da liga na América do Sul. O Chicago Bulls venceu o Washington Wizards por 83 a 81, diante de 13.635 espectadores.

O jogo ficou marcado por uma combinação curiosa de festa e problemas de organização. A NBA montou uma grande operação de entretenimento, com mascotes, cheerleaders, atividades com torcedores e a presença de antigos ídolos do Bulls, como Scottie Pippen, Horace Grant, John Paxson e Randy Brown. A escolha das equipes também tinha forte apelo brasileiro: o Bulls possuía enorme torcida no país ávida por ver a volta de Derrick Rose, enquanto o Wizards tinha Nenê Hilário.

Em 2013, não havia o BRT na região, o que complicou muito a chegada dos torcedores à Arena da Barra. Com a área da Salvador Allende cheia de obras para a Olimpíada e o trânsito pesado para o evento, boa parte do público chegou apenas no segundo quarto.

O episódio mais controverso ocorreu com Nenê. O brasileiro foi vaiado durante a apresentação e posteriormente em cobranças de lances livres. O motivo estava relacionado à sua ausência na Seleção Brasileira na Copa América daquele ano.

Leandrinho, que estava no ginásio, também recebeu vaias quando apareceu no telão.

São apenas 13 anos de diferença, mas é uma fotografia de outra era dos fãs de basquete do Brasil. A seleção era o topo da pirâmide para o público brasileiro. Hoje, nem tanto.
Em contraste com Nenê, o gigante Oscar Schmidt foi ovacionado pelo público e acabou sendo uma das figuras mais lembradas daquela noite. Outra lenda que nos deixou também estava presente no jogo.

O Anjo Loiro, Wlamir Marques, conferiu aquela partida.


2014 — Cleveland Cavaliers 122 x 119 Miami Heat — prorrogação
11 de outubro de 2014 — Arena da Barra, Rio de Janeiro

Se 2013 foi a estreia, 2014 teve um ingrediente adicional: LeBron James enfrentando pela primeira vez o Miami Heat, depois de deixar a franquia e retornar a Cleveland.

O Cavaliers venceu por 122 a 119 na prorrogação, depois de o jogo terminar empatado em 105 no tempo regulamentar. Foram 15.411 espectadores na HSBC Arena.

LeBron, porém, não foi o protagonista estatístico. Jogou apenas cerca de 20 minutos, marcou sete pontos e distribuiu oito assistências. O destaque ofensivo de Cleveland foi Kevin Love, com 25 pontos. Pelo Heat, Chris Bosh terminou com 19 pontos.

A partida ganhou ainda mais significado pelo lado brasileiro. Anderson Varejão, então jogador do Cavaliers, foi recebido de maneira completamente diferente daquela vivida por Nenê um ano antes. O brasileiro foi aplaudido durante toda a noite, marcou 14 pontos, pegou três rebotes e chegou a se emocionar durante a apresentação.

A noite ainda teve homenagens a antigas estrelas da liga, incluindo Pat Riley, Alonzo Mourning, Gary Payton e Steve Smith. No intervalo, a NBA homenageou Luciano do Valle, um dos responsáveis pela popularização da NBA no Brasil nas transmissões da TV Bandeirantes.

E houve, finalmente, um jogo à altura do evento: Miami chegou a buscar uma desvantagem de 20 pontos, empatou em 105 e levou a partida para a prorrogação. Cleveland venceu por três pontos.


2015 — Orlando Magic 90 x 73 Flamengo
17 de outubro de 2015 — Arena da Barra, Rio de Janeiro

O terceiro capítulo foi diferente dos anteriores. Pela primeira vez, um time brasileiro enfrentou uma franquia da NBA no Brasil.

O Flamengo recebeu o Orlando Magic em 17 de outubro de 2015. A ideia já havia sido anunciada pela NBA como uma mudança no formato do Global Games brasileiro: em vez de duas franquias da NBA, uma equipe brasileira enfrentaria uma equipe da NBA.

O Flamengo chegava ao confronto como bicampeão do NBB e campeão da Copa Intercontinental da FIBA, enquanto o Orlando vinha para sua pré-temporada. O Magic já havia enfrentado o Flamengo em Orlando no ano anterior, vencendo por 106 a 88.

No Rio, Orlando venceu novamente, desta vez por 90 a 73. O Magic abriu vantagem rapidamente e nunca esteve atrás. Chegou a liderar por 28 pontos, e foi para o último quarto com 27 de vantagem. Nikola Vuevi marcou 18 pontos, enquanto Victor Oladipo terminou com 13 pontos e nove assistências.

Pelo Flamengo, Marcelinho Machado marcou 17 pontos e pivô J.P. Batista fez 13. A partida teve 14.894 espectadores.

O então técnico do Magic, Scott Skiles, também encarou o ambiente como uma oportunidade para testar a equipe em uma situação diferente da pré-temporada americana. O Magic havia jogado diante de públicos menores, e encontrou no Rio uma atmosfera muito mais hostil e barulhenta.Umas das estrelas do Magic da época, Victor Oladipo, classificou a torcida rubro-negra como capaz de funcionar como um “sexto jogador”.

Uma curiosidade: o armador Shabazz Napier foi o único jogador a disputar as duas partidas: em 2014, como calouro pelo Miami Heat; em 2015, pelo Orlando Magic.