A verdade está lá fora

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Por PEDRO RODRIGUES

A briga entre a NBA e o Clippers promete ser gigante

Filmes e séries de monstros têm uma fórmula simples: quanto maiores os monstros, maior a destruição. Os famosos “kaijus” podem destruir cidades inteiras, mas nada disso importa quando dois deles ficam frente a frente. Sabemos que vai dar ruim. Sabemos que alguém vai colocar uma cidade abaixo. E, ainda assim, queremos assistir.
O problema desses filmes é que, para chegar à famosa luta, há sempre uma história no meio.

Só que aqui a história que leva à batalha entre Godzilla e Rodan é tão boa — ou melhor — que a luta em si. Isso porque na última semana, no dia 2 de setembro, a NBA anunciou a punição aos envolvidos na manipulação da folha salarial feita por dignitários do Los Angeles Clippers e representantes do jogador-esfinge Kawhi Leonard. O comissário Adam Silver foi certeiro e lançou chumbo-grosso nos envolvidos.

Vamos às punições e seus personagens:

1. Perda das escolhas de primeira rodada em 2029, 2030, 2031, 2032 e 2033 — Feliz 2035, torcedores do Clippers. Sem as escolhas, o time perde a capacidade de conseguir jovens talentos de baixo custo e fica prejudicado também na hora de fazer trocas. Isso é o prego no caixão das possibilidades de competitividade do Clippers.

É verdade que o Brooklyn Nets provou que é possível montar times competitivos com jogadores jovens pouco aproveitados e contratos expirantes quando se viu sem escolhas de Draft, depois de trocar por Paul Pierce e Kevin Garnett. Mas isso foi em outra era. O segundo time de Los Angeles pode voltar a ser a casa de veteranos em busca de um contrato e jogadores abaixo da média.

2. Suspensões para o proprietário Steve Ballmer, a executiva de negócios Gillian Zucker e o presidente de operações de basquete Lawrence Frank: Ballmer está suspenso por um ano de todas as atividades da equipe — exceto assinar cheques e pagar contas. O que deve ter enfurecido um dos dez homens mais ricos do mundo.

Zucker está suspensa por um ano, sem remuneração. A Sra. Zucker, além de ser reincidente no assunto — o Clippers foi multado em US$ 250 mil em 2015 pela mesma prática —, supostamente, forneceu informações enganosas durante a investigação da NBA e, por isso, recebeu uma pena maior que a de Lawrence Frank.

3. Clippers multados em US$ 30 milhões. É a maior multa aplicada a uma equipe na história da liga, superando a multa de US$ 3,5 milhões dos Timberwolves por causa do caso Joe Smith.

4. Leonard multado em US$ 700 mil: Um troco de bala para um jogador com um contrato de US$ 50 milhões para a temporada 2026/2027. Somente no contrato fraudulento com a Aspiration, ele faturou muito mais do que US$ 20 milhões.

Na investigação, descobriram que Gillian Zucker conseguiu mais três empresas — Daktronics, Boingo Wireless e Lockton Insurance — que também pagaram a Leonard. Um escárnio.

5. Clippers submetidos a um programa de monitoramento de conformidade por cinco anos: A NBA monitorará a equipe por cinco anos para garantir que isso não aconteça novamente. Bom, sem escolhas de Draft e sem perspectiva esportiva, é quase 101% de certeza de que não vai acontecer nada remotamente parecido.

6. Tio Dennis banido por cinco anos: Um dos protagonistas dessa pantomima é Dennis Robertson, tio e ex-empresário de Leonard. Desde 2019, quando Leonard assinou com o Clippers, circulam histórias de “pedidos extravagantes” do agente do jogador na época.

Jennie Buss, então dona do Los Angeles Lakers, deixou isso claro ao afirmar que “até parte do time, o staff de Kawhi pediu”. Foi Robertson, de acordo com a investigação, quem pediu que o time apresentasse “oportunidades de parcerias” para seu cliente e sobrinho.

Acabou suspenso de qualquer atividade relacionada à NBA por cinco anos. Um problema, já que seu único cliente era Kawhi Leonard.

Depois das punições anunciadas, ficou claro que Steve Ballmer não vai deixar barato. O ex-CEO da Microsoft acabou de construir uma arena de US$ 2 bilhões e vai proteger seu investimento. Não existe, até o momento, confirmação do fato, mas existe a possibilidade de Ballmer levar a NBA para os tribunais. Se realmente chegarmos a este ponto, teremos dois titãs: de um lado, Ballmer; do outro, a NBA. Uma batalha que abalaria Tóquio.

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O jogo entre Los Angeles Clippers e Toronto Raptors — possível time de Kawhi Leonard, se a NBA confirmar a troca anunciada em junho — será disputado no dia 2 de novembro, em Los Angeles.

Antes disso, teremos o “clássico da amizade” entre os dois times em Vancouver, na pré-temporada, no dia 10 de outubro.

Imperdível!

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Toda essa história foi descortinada por um jornalista investigativo chamado Pablo Torre. Um jornalista fez com que a NBA, nesta era de donos que acham que podem tudo, cumprisse as regras para preservar a integridade da liga.

Bravo!