Jean Thomps: do jogador ao narrador à frente da Basquete TV

Por PEDRO RODRIGUES

Jean Thomps, do canal BasqueteTV, em mais uma narração

Jogador, treinador, narrador e um dos dunkers mais atléticos das quadras do Rio de Janeiro. Se você é do Rio, acompanha basquete da base ao profissional, provavelmente já viu ou ouviu alguma das muitas facetas do meu convidado de hoje. Conversei com Jean Thomps sobre sua trajetória no basquete e sobre o canal Basquete TV

 

Nas Quadras: Como é que o basquete entrou na tua vida?

Jean Thomps: O basquete entrou na minha vida através de amigos. Já fui jogador federado de futebol até o sub-16. Aos 16 para 17 anos, eu estudava em um colégio técnico em Santíssimo, na Zona Oeste do Rio. Alguns amigos meus já treinavam basquete na escola, onde muitos tinham bolsa de atleta. Me convidaram para um treino e, no primeiro contato com a bola laranja, me apaixonei. Larguei o futebol e comecei minha jornada no basquete. Comecei relativamente tarde para o basquete, aos 17 anos. Tentei peneiras no Fluminense, Tijuca e Botafogo, mas fui reprovado nas três. Nesses locais, os treinadores me indicaram o Municipal e o Jacarepaguá Tênis Clube (JTC), do professor Pupa, que era o mais próximo da minha casa (eu morava em Senador Camará). Consegui ficar no JTC. Treinava dois dias na escola e três dias no clube. Depois de seis meses de basquete, me destaquei e recebi um convite do Brasília, treinador sub-17 do Vasco. Fui para o Vasco, joguei no sub-18 e no sub-19 e cheguei a treinar com o profissional. Depois, porém, o clube encerrou a categoria. Ganhei bolsa em São Paulo para jogar no Palmeiras e estudar na UniSant'Anna, mas veio a pandemia em 2020 e precisei voltar ao Rio. No final do ano joguei um campeonato amador, me lesionei, e foi aí que começou minha trajetória entre o basquete semiprofissional e as transmissões.

 

Como foi criar o canal, lá atrás, em 2019? E de onde surgiu a ideia de transmitir os jogos da base no Rio?

Eu já tinha um público considerável no Instagram como atleta. Morava em uma comunidade carente em Senador Camará e sabia que muitas crianças e amigos se espelhavam em mim. Juntamente com a minha mãe e um amigo, pensei em criar o canal para fazer vlogs — mostrando como era a rotina de treino e jogo no Vasco da Gama. A ideia era mostrar para a galera da comunidade como era ser um atleta de alto rendimento. Com a lesão no final de 2020, passei a filmar os jogos amadores. A primeira live bateu 100 aparelhos, depois 150, 200, 500 pessoas... Percebi que era um produto que faltava no Rio. Conversei com o Thiago, coordenador da base do Vasco na época, e com a federação, que deu carta branca porque isso gerava engajamento para todo mundo.

 

E como foi essa virada para o YouTube e o crescimento do canal nos últimos dois anos?

Um empresário de atletas, o Arlem Lima, me ajudou muito no início, cobrindo custos para fazermos a transição do Instagram para o YouTube. Começamos a cobrir o Campeonato Brasileiro de Base (CBI) em parceria com o Tijuca Tênis Clube, com apoio do Márcio e da Samanta. Eu não tinha curso, fui desenvolvendo a narração na raça. Chegamos a quase 40 mil inscritos focando exclusivamente na base — o que para o basquete no Brasil é muita gente! Tem até um fato curioso sobre isso. Minha avó conta que, quando eu era bem criancinha, eu sentava na frente da TV e ficava narrando jogos.

 

Para quem ainda não conhece, o que é a Basquete TV, quem está com você nesse projeto, e como surgiu esse novo movimento?

O canal evoluiu de Jean Thomps para Jean Thomps TV, e agora para Basquete TV. Em 2026, recebi uma mensagem do Olivinha — bicampeão mundial, ícone do basquete e ex-jogador do Flamengo. Ele me apresentou o projeto junto com a Live Sport, uma das maiores produtoras de transmissão ao vivo do Brasil. A proposta foi unificar a base e o profissional em um só canal. Para reforçar o time, o Marquinhos — ex-Flamengo, Vasco e seleção brasileira — também está chegando. Já iniciamos a parceria com a Federação Paulista de Basquete, transmitindo o Campeonato Adulto Paulista e as categorias de base.

 

Ao lançar a temporada 2026/2027 do NBB, a Liga Nacional anunciou que todos os jogos serão transmitidos. A Liga já entrou em contato com vocês para realizar alguma dessas transmissões?

Primeiramente, preciso agradecer à Payback e ao Daniel Lório (CEO da Payback), que fizeram essa ponte inicial com o NBB. Comecei narrando a LDB há dois anos e, na temporada 2025/2026 do NBB, narrei diversos jogos com uma resposta muito positiva. Agora, com a Basquete TV, nossa equipe está negociando para tentar trazer os direitos do NBB para o canal. Também estamos conversando com ligas internacionais, como as da França, Turquia, Espanha e Itália, além da EuroLeague. Se o NBB fechar com a Basquete TV, ou me chamar para narrar em outra tela, estarei pronto.

 

Além das transmissões, vocês também terão programas de debate e mesas-redondas?

Sim! A Live Sport conta com uma estrutura gigantesca no Rio, com estúdios e suporte completo de broadcast. Teremos programas no formato mesa-redonda trazendo técnicos, atletas da seleção, ex-jogadores e análises da NBA.

 

Existe a possibilidade de vocês fazerem transmissões in loco, diretamente dos ginásios?

Isso vai depender das negociações. Primeiro precisamos fechar os acordos e, depois, pensar nisso.