Oscar Schmidt
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Para uma geração de brasileiros que cresceu na década de 80, 1987 foi mais um ano difícil. A nova República já começava velha com a morte de Tancredo Neves, o plano cruzado fracassou, assim como uma das maiores gerações que vestiu a camisa da seleção brasileira de futebol na Copa de 86. Nos sentíamos como na música “Inútil”.
Foi em um jogo perdido em um Pan-Americano que uma geração de brasileiros conseguiu reaver um pouco da esperança de um futuro melhor. Naquele dia, naquela vitória contra os EUA em Indianápolis, DE VIRADA, por 120 a 115, contra histórico e tudo mais, Oscar Schmidt mudou a história do basquete mundial e de uma geração de brasileiros. Hoje, 17 de abril de 2026, Oscar nos deixou.
Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte. Apelidado de “Mão Santa” pelo seu gatilho certeiro, marcou 49.973 pontos na carreira, é o maior pontuador dos jogos Olímpicos (80/84/88/92/96) com 1.093 pontos e teve impressionantes média de 42,3 pontos nas Olimpíadas de 1988 em Seul.
Conhecido mundialmente, Oscar está no Hall da Fama do basquete e, recentemente, entrou para o Hall da Fama do COB. Seu jogo só não era maior que sua personalidade. Emotivo, explosivo e competidor até a última gota de suor, jogou no Brasil pelo time inesquecível do Sírio - campeão mundial de 1979, na Itália, no Juvecaserta e Pavia, Forum/Valladolid na Espanha, Corinthians e Flamengo, já na década de 90.
Foi escolhido pelo New Jersey Nets no draft da NBA de 1984 e recusou o convite para jogar na liga profissional porque, pelas regras da época, não poderia jogar pela seleção. Ele sempre afirmou em entrevistas que se tivesse jogado, teria sido um dos principais jogadores da NBA. Acredito piamente nesta afirmação.
A paixão de Oscar era a seleção. Se não conseguiu a medalha de ouro, manteve o time como um dos melhores da Américas do Sul e Central durante toda sua carreira. Se despediu duas vezes da Amarelinha. A primeira, após as Olimpíadas de Barcelona de 1992, e depois atendeu ao chamado da Confederação e, junto de Ary Vidal, ajudou a classificar a seleção para as Olimpíadas de Atlanta em 1996.
Perdemos no último ano Wlamir Marques e agora Oscar. O basquete brasileiro se despede de quem fez sua história, sem documentar e reverenciar os feitos destes indivíduos tão únicos.
Feitos e números de Oscar Schmidt
49.973 pontos na carreira
1.093 pontos em Olimpíadas
55 pontos x Espanha Seul 1988
42,3 de média de pontos em Seul 1988
Líder em cestas de 3pts, 2pts e lances livres em Olimpíadas
Mais vezes cestinha em Jogos Olímpicos
10x cestinha do Brasileirão
7x cestinha da Liga Italiana
Hall da Fama FIBA e Springfield