Nuvens Pesadas

Por PEDRO RODRIGUES

O Flamengo se reagrupa após a dolorosa derrota na semifinal da Copa Super 8

Crise. Tempos complicados chegaram a dois dos times cariocas nesta temporada do basquete. Flamengo e Vasco entram sob o manto da desconfiança, com duas crises deflagradas na última semana.

A semana começou com a confirmação de um rumor que já circulava nos bastidores. O anúncio oficial chegou na segunda-feira (26): Léo Figueiró não é mais o técnico da equipe vascaína. Figueiró assume, em tempo integral, a função de coordenador técnico das seleções femininas de base e também será assistente técnico da seleção feminina adulta.

Uma excelente contratação por parte da CBB — e uma catástrofe para o Vasco. Perder Léo não é apenas perder um dos melhores técnicos do Brasil; é muito mais do que isso. O Vasco perde seu único astro e o penúltimo pilar da base criada para o retorno do clube ao NBB. Saíram Marquinhos, o patrocinador, e agora Léo.

O coordenador Gegê Chaia e o novo técnico Cássio Santos, ex-auxiliar de Figueiró, terão uma montanha a escalar para tirar o time da última posição (3 vitórias e 20 derrotas) e livrar o Vasco do rebaixamento.


O desafio do arquirrival do Vasco é outro, dadas as diferenças de elenco, orçamento e expectativas. Ainda assim, o manto da crise também se abateu com força sobre a Gávea. O estopim foi a eliminação em casa, na semifinal da Copa Super 8, diante do eventual campeão KTO Minas, por 93 a 80, na terça-feira (27).

O placar, porém, não traduz o que foi o jogo. O Flamengo chegou a ficar 25 pontos atrás e parecia sem forças para reagir — e isso faz sentido. A equipe rubro-negra joga praticamente de três em três dias desde o início de janeiro, em diferentes competições e contextos, todos, claro, sob intensa pressão por vitórias.

Quando enfrentou times de elencos mais modestos, o Flamengo se impôs pelo talento individual, como diante do São José, na abertura do Super 8, e do Obras, pela BCLA. Já contra adversários mais “encorpados” — em elenco e físico —, o time de Sérgio Hernández sucumbiu. Foi assim na BCLA, contra o Nacional, e novamente na semifinal diante do Minas.

Talvez a combinação de cansaço e frustração pela derrota tenha levado o experiente técnico Sergio “Oveja” Hernández a se confrontar com alguns membros mais exaltados da torcida rubro-negra. 

A vitória na Copa Super 8 garantiria uma vaga na BCLA 2027 e traria maior tranquilidade para os playoffs do NBB. Com a eliminação, a pressão na Gávea para a retomada do título nacional aumenta exponencialmente — tanto sobre o elenco quanto sobre o próprio técnico.

Vasco e Flamengo voltam à quadra na próxima semana com objetivos finais completamente distintos: o Vasco luta pela sobrevivência; o Flamengo, pelo título — agora, mais do que nunca, sob o peso de suas apaixonadas torcidas.

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O KTO Minas não deu chances aos jovens talentos do Pinheiros, comandado por Gustavo de Conti, e venceu a final da Copa Super 8 no sábado (31). Placar final: 85 a 62. Danilo Fuzaro foi eleito o MVP. Com o título, o KTO Minas se torna o primeiro classificado para a BCLA 2027.