Martín Anselmi faz longo desabafo, diz que Botafogo é sua 'vida 24h por dia’, e pede desculpas por derrota

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Por ESPORTES JB com FogãoNet

Martin Anselm, técnico do Botafogo

O técnico Martín Anselmi apareceu para dar entrevista coletiva após mais de uma hora do término da derrota do Botafogo para o Flamengo por 3 a 0, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. E começou fazendo referência aos gritos de “burro” que ouviu da torcida alvinegra, ao responder sobre a mudança no esquema tático no clássico deste sábado (14) no Nilton Santos.

– Em nenhum jogo jogamos com três zagueiros. No jogo anterior, com Potosí, Mateo Ponte defendeu como lateral, jogamos com quatro. Hoje foi um misto. Dá para explicar mais, mas hoje não tem sentido isso para mim. Por mais que eu explique, nós perdemos e sou um burro, porque perdemos. Quando o time perde, o treinador é burro. Hoje sou um burro – disse Anselmi.

Depois, Martín Anselmi deu um longo desabafo depois de ser questionado sobre o poder de competição do time do Botafogo. O treinador começou respondendo em português, mas depois ficou só no espanhol.

– A palavra “competir”, eu não concordo que meus jogadores não competiram hoje. Na primeira metade, foi um jogo parelho, onde tínhamos a posse de bola dividida. Depois, numa jogada desafortunada, em que o Barrera fecha, fica o rebote para o Barboza, não consegue ficar com a bola, chutaram, pegou no Bastos, sofremos o gol. Depois, sempre achei que a equipe estava no jogo, competindo. Outra falta nossa quando tínhamos a bola, gol de tiro livre. Depois, tenho que revisar o regulamento, a bola está com Raul, o árbitro tem uma conversa com o Allan, dá amarelo e marca falta para eles, quando a bola era nossa, dessa falta vem a expulsão do Barboza. Depois, com um a menos, competimos algumas vezes. Tudo isso para mim não faz sentido falar sobre.

– Sei o que o torcedor sente hoje, porque eu também fui torcedor, já xinguei, critiquei, viajei muitos quilômetros para assistir ao meu time. Nada do que eu fale vai reverter o sentimento. O sentimento não se julga, se eu sinto alto, é o que é. Nos sentimos decepcionados, e tudo que vou dizer sobre o que trabalhamos para reverter a situação vai ser pouco. Só posso dizer que, para mim, hoje, o Botafogo é a minha vida. É assim. O Botafogo é a minha vida 24 horas por dia. Minha família está no meu país, eu passo o dia todo trabalhando pelo clube. No jogo passado, na “pré-Libertadores”, fizeram um gol e não conseguimos empatar. É difícil explicar. Não posso colocar a palavra “competir” como que seja o real problema. Acontecem muitas coisas que eu posso explicar, que hoje não é dia para explicar.

– Não me interessa vender ilusão. Sou uma pessoa que diz o que se sente, que sempre vai falar a verdade. Não estou aqui falando, colocando desculpas. Creio nos jogadores que temos, no estafe, na comissão técnica, no que fazemos no dia a dia. Falou da palavra “rebaixamento”, temos dois jogos a menos. Não entro nessa, assim como não entro na [pergunta] sobre os três zagueiros. Quero falar sobre futebol, podem trazer um quadro e ficaremos horas. Não devo nada para ninguém. Sou técnico, comecei dirigindo um time de crianças numa praça. Sinto que o time compete, que vamos dar a volta por cima. A única palavra que encontro que não precisa de sentido é “pedir desculpas às pessoas pelo resultado de hoje”.