O sofá foi trocado de lugar
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Filipe Luis foi vítima da inquietude, tão pertinente aos jovens, e à solidão, principalmente, nos momentos decisivos.
Quem curte aviação sabe que um desastre aéreo ocorre em função de uma sucessão de equívocos. Muito raramente por um único motivo.
O desastre no futebol também vai por aí. O exemplo claro é o momento rubro-negro.
Filipe Luis, em rompante pertinente aos jovens, vai para um jogo que vale título, contra o Lanús, tendo como meta vencer pela diferença de dois gols, e começa o jogo sem Paquetá, Pedro, Jorginho e Cebolinha.
O Flamengo, dentro da hierarquia do seu departamento de futebol, tem no português Boto o profissional responsável pela área, ou seja, o chefe. Como tal, sendo responsável pelo setor, tem a obrigação de saber dos planos de seus comandados. Como é que um time vai para uma decisão sem que o comandante geral da área conheça o time que vai entrar em campo?
Por experiência própria, na véspera ou antevéspera do jogo, era rotina a reunião com o treinador e mais um ou outro membro da comissão, para ser informado sobre os planos e, se houvesse algo que parecia estar fora da casinha, o debate era provocado, possibilitando ao treinador rever alguma coisa. Se o tema fosse técnico, a decisão final era do treinador. Se institucional, do dirigente que representava o clube.
Este simples exercício democrático corrigiu algumas ideias não muito felizes.
Fico me perguntando: será que o Boto sabia o time que Filipe Luis queria escalar contra o Lanús? Se não sabia, tratar-se-ia de criminosa omissão. Se soube e não provocou saudável discussão, seria um misto de irresponsabilidade e covardia, não dando chance ao treinador em rever tamanho absurdo.
Se seguiu toda cartilha e ainda assim o treinador teimou em insistir, havia dois caminhos. Demiti-lo após a reunião ou deixar claro que se tamanho absurdo conduzisse a um desastre, a responsabilidade seria dele treinador, com demissão anunciada no vestiário, após o jogo.
Não podemos esquecer que com a conivência do comandante do futebol, prevaleceu o pleito dos jogadores em esticar as férias. O resultado foi um pífio início de temporada com um ponto conquistado em nove disputados pelo campeonato carioca, além de dois títulos perdidos. Um para o modesto time do Corinthians e outro, para o não menos modesto time do Lanús.
Não fosse a providencial intervenção do presidente Bap, e um pouco de sorte na matemática dos resultados entre outros clubes, não estaria o Flamengo disputando o tricampeonato diante do Fluminense.
Em síntese, Boto foi bonzinho atendendo jogadores e comissão técnica, e a vaca já foi duas vezes para o brejo…
Tomara que eu esteja errado, mas na saída de Filipe Luis, apenas trocamos o sofá de lugar, ao invés de rever toda decoração da sala, em que os itens foram caríssimos, embora de gosto duvidoso por parte dos arquitetos do departamento de futebol.
Bola pra frente!
Sorte para o portuga que fez um bom trabalho no Cruzeiro.
