São Paulo segura o Flamengo no Morumbi lotado e conquista a Copa do Brasil pela primeira vez
Rubro-Negro abre placar, mas Tricolor busca resultado, fecha campanha histórica e comemora, enfim, um título do torneio
"Salve o tricolor paulista, amado clube brasileiro, tu és forte, tu és grande, dentre os grandes és o primeiro". Pela primeira vez em sua história soberana, o São Paulo ouviu tocar seu hino numa final de Copa do Brasil. O Tricolor segurou empate em 1 a 1 com o Flamengo neste domingo (24), com belo gol do herói Rodrigo Nestor, cria de Cotia, e soltou o grito de campeão que estava engasgado após 22 participações. De quebra, levantou o troféu diante de mais de 63 mil torcedores no Morumbi.
O São Paulo volta a ser campeão de uma competição nacional após 15 anos - conquistou o Brasileirão pela última vez em 2008. Em 2012, venceu o último título além do limite estadual: a Sul-Americana. O meia Lucas Moura fez um dos gols da vitória por 2 a 0 sobre o Tigres naquela oportunidade. Neste domingo, chamou a responsabilidade novamente, mas não marcou.
Numa campanha que passou por Ituano, Sport, e os dois maiores rivais, Corinthians e Palmeiras, o título contra o elenco milionário do Flamengo significa que agora o São Paulo pode dizer que é campeão de tudo! São três Mundiais de Clubes, três Libertadores da América, uma Sul-Americana, esta com Lucas Moura, seis Campeonatos Brasileiros e 22 Campeonatos Paulistas.
O título da Copa do Brasil traz, além do reconhecimento esportivo, um prêmio de R$ 70 milhões pago pela Confederação Brasileira de Futebol, valor recorde. Na soma de todas as fases, o São Paulo leva mais de R$ 88 milhões para casa, valor que traz alívio ao fim de ano do clube.
Se o São Paulo adiciona o único título que faltava para a sua galeria, o técnico Dorival Júnior conquista o bicampeonato consecutivo. Ano passado, levou esse mesmo Flamengo ao título. Depois, foi dispensado para a contratação de Vitor Pereira.
Contratado em abril pelo São Paulo, Dorival mudou o destino do clube, apostou nas copas e, apesar da eliminação na Sul-Americana, manteve a força da equipe rumo ao primeiro título tricolor no torneio. No fim, ainda consolou os jogadores do Flamengo, que nutrem grande carinho por ele.
Primeiro tempo
O primeiro tempo foi bem jogado. Antes do ponteiro dar a primeira volta no relógio, Pedro recebeu passa na entrada da área, entrou com liberdade e chutou em cima de Rafael. O Flamengo controlava a posse de bola pacientemente, buscando brechas dentro da zaga rival. Esse espaço veio aos 18 minutos, mas Rafael, em tarde inspirada, evitou gol de Gerson. O São Paulo chegou duas vezes no contra-ataque, uma com Lucas e outra com Wellington Rato, mas também faltou capricho na hora de finalizar. Pedro buscou o ângulo em chute colocado, aos 40.
De tanto insistir, o Fla chegou ao seu gol aos 44, com o sempre decisivo Bruno Henrique. O camisa 27 aproveitou rebote de Rafael após chute de Pulgar e empurrou para as redes. Quando parecia que os cariocas levariam a vantagem para o intervalo, Rodrigo Nestor aproveitou rebote de Rossi e, num petardo de fora da área, igualou novamente o marcador aos 50.
Segundo tempo
As equipes voltaram sem alterações do intervalo, e o ritmo se manteve. O Flamengo tentava propor o jogo, mas lhe faltava criatividade, especialmente no último passe. A bola parada, portanto, tornou-se a arma do rubro-negro. Arrascaeta recebeu passe curto em escanteio e cruzou para Pedro, que cabeceou por cima do gol. Aos 18, Sampaoli colocou Luiz Araújo no lugar de Thiago Maia. Depois, Gabigol no lugar do Pedro. Victor Hugo e Everton Ribeiro também substituíram Gerson e Arrascaeta, que sentiram. No São Paulo, entraram Wellington, Gabriel, Michel Araújo e Luciano. Chances de gol, porém, tiveram poucas.
Léo Pereira, aos 23, chegou atrasado em cruzamento de Arrascaeta, ainda conseguiu fazer o desvio, mas mandou para fora. A partir dos 35, precisando desesperadamente de um gol, o Flamengo se lançou completamente para o ataque, deixando uma área despovoada no campo de defesa. Numa dessas saídas, o São Paulo achou um contra-ataque. Lucas Moura fez a jogada individual, entregou para Luciano livre, cara a cara com Rossi, mas o camisa 10 pegou de primeira e mandou para fora. Aos 50, Rafael salvou o que seria gol heróico e de redenção de Ayrton Lucas. O Tricolor segurou o empate e levantou a taça.