NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete
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Doce amargo ou amargo doce
O fim de 2022 não foi o planejado para o time de basquete do Flamengo. Se fôssemos pensar em uma metáfora aeronáutica, o time Rubro-Negro estava taxiando no começo do mês, teve permissão para decolar depois de 3 boas vitórias, e teve a decolagem cancelada depois do último jogo do ano contra o rival Franca. Como tudo que envolve o Flamengo, as consequências dessa derrota foram muito mais passionais do que racionais.
Vamos por partes aqui. Ganhar do Franca mostraria que o Flamengo poderia fazer frente ao melhor time do Brasil, arrancando a invencibilidade dos Francanos e deixando tudo aberto para o restante da temporada. A tarefa não era fácil. Nem um pouco. Franca tem o melhor time do país com jogadores que hoje são base da Seleção Brasileira. Lucas Dias, Georginho e Lucas Mariano (que não jogou) são líderes tarimbados que já passaram pelo céu e o inferno do NBB. O trio acima tem a ajuda providencial do craque David Jackson, uma maquina de pontuar, um dos melhores sextos homens do basquete nacional com Scala e jovens como Márcio que são talentosos e ainda encontram respaldo com seus companheiros de time mais veteranos. Para comandar estes craques, o excelente Helinho com os conselhos de Lula Ferreira.
Já o Flamengo está em reconstrução. A maior reconstrução desde a temporada 2016/2017. Se foram os estrangeiros Brandon Robinson e Dar Tucker, o ídolo Balbi e o jogador que o time mais sente falta: Yago Mateus. Chegaram Cuello, Aguirre e Vildoza para serem pilares do time. São excelentes jogadores, destaques na Liga Argentina e, no caso, de Pepe Vildoza, jogador de seleção. Mas são calouros no NBB. Por mais craque que seja o jogador, existe um período de adaptação. Muda o sistema de jogo, os ginásios, a arbitragem e os adversários. Tudo é conhecido, porém novo. Para piorar a adaptação, Vildoza vem de lesão. Definitivamente não é uma situação das mais confortáveis.
Voltando ao jogo entre Franca e Flamengo. O jogo mostrou tudo de melhor e de pior do basquete nacional. O de melhor, sem a menor sombra de dúvida, foi o excelente comparecimento da torcida rubro-negra, 1.800 barulhentos torcedores lotaram o Tijuca e os dois bons primeiros quartos de jogo com vitoria do Franca por 36 a 24. A partir do terceiro período, tivemos o pior que o basquete nacional tem a oferecer. Não tem como não falar novamente da péssima arbitragem. O trio de árbitros voltou do intervalo com outra atitude: a falta de critério total. Eram faltas claras que não eram marcadas dos dois lados, enervando os jogadores, técnicos, bancos de reservas e, para piorar, a torcida. Infelizmente, tivemos ocorrências de objetos ou líquidos no banco do Franca. Em uma cena triste, diversos torcedores xingavam o pivô Lucas Mariano que é humano e revidou os impropérios. Tudo isso com uma família com duas crianças pequenas no meio. Uma lástima.
Com o Franca no controle, o Flamengo entrou em parafuso. O Fia chegou a tirar a diferença e ficar a 5 pontos do Franca (55 a 50), bastou um pedido de tempo de Helinho para que o campeão do NBB retomasse as rédeas do jogo. E quando o desespero bate, o Flamengo chuta de 3 pontos. E chuta muito. Foram 42 arremessos com apensas 10 convertidos. A bola que matou o Flamengo foi do pivô Márcio do Franca que teve todo tempo do mundo para arremessar de 3 sacramentar a vitória dos Francanos. Merecida vitória.
Não foi o roteiro que a diretoria, jogadores e técnico do Flamengo esperavam para o final de 2022. Para tentar estabilizar a posição de armador, a diretoria do Flamengo trouxe o armador Ricardo Fischer, ex-Brasilia (mais sobre o assunto abaixo).
Esse é a vantagem e o grande problema do Flamengo: quando as vitorias vem, não existe vitoria mais doce. Porém quando as derrotas acontecem, não existe derrota mais amarga.
Trilho
A chegada de Ricardo Fischer ao Flamengo surpreendeu muita gente que acompanha o basquete Nacional. Fischer teve uma breve passagem pelo Flamengo em 2016/2017, um ano confuso para o time e desde então teve seus bons momentos pelo Corinthians e nos últimos dois anos pelo Brasilia. Na sua passagem pelo Parque São Jorge ficou marcada pela derrota na final da SulAmericana de 2019 para o Botafogo de Léo Figueró. Seu tempo no Planalto Central foi de bons números pessoais (13 pontos e 4 assistências) em um time que não aconteceu nas temporadas 2021/22 e 2022/23.
Agora, o armador de apenas 31 anos tem a chance de recolocar a carreira nos trilhos. Mesmo saindo do banco, Fischer traz uma característica que o time atual do Flamengo não. tem: a criatividade. Se o jogador conseguir um rápido entrosamento e resultados com o time, o Flamengo encontra o armador que tanto procurou desde a saída de Yago. Tempo não é um aliado aqui para Fischer e o Flamengo. Por isso, uma vitória no Super 8 que começa agora em janeiro pode ser fundamental para trazer tranquilidade para o restante da temporada.
Em tempo
Ricardo Fischer e o técnico Gustavo de Conti trabalham pela primeira vez juntos.