ESPORTES
NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete
Por PEDRO RODRIGUES
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Publicado em 17/12/2022 às 12:08
Alterado em 17/12/2022 às 12:08
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No chores por mim, Brasil
Olá, torcedor de futebol! Tudo bem? Talvez nunca tenhamos trocado umas palavras, mas com certeza já nos encontramos. Vamos nos apresentar formalmente: somos torcedores da seleção Brasileira de basquete. Muito prazer. Ficamos também bem chateados pela derrota da Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Catar. Estamos juntos nessa. Só uma coisa nos preocupou aqui do nosso lado: alguns de vocês estão realmente torcendo e reverenciando a seleção Argentina.
Sabe o que é? Essa história de reverência aos nossos amigos argentinos não dá muito certo, não. Experiencia própria. E não é de agora. Convivemos com isso desde o começo dos anos 2000. Vou tentar te explicar rapidamente: o Brasil, até o meio para o final dos anos 90, era a hegemonia do basquete na America do Sul. Até lá, nossos grandes rivais acabavam sendo times da America Central como Porto Rico. Isso começou a mudar quando uma geração espetacular de jogadores surgiu na Argentina. Nomes como Sanchez, Delfino, Hermann, Nocioni, e craques como Scola, nosso maior carrasco, e a lenda Manu Ginóbili não formaram uma seleção, e sim um time que jogava pela seleção. Eles passaram por nós muito rapidamente e nos tornaram um pequeno ponto no retrovisor. Não digo que não vibramos pela vitoria deles sobre os EUA na Olimpiada de 2004. Vibramos, sim. E pior, até torcemos pelos hermanos na grande final desta mesma Olimpiada, contra a Italia. Só depois que “caiu a ficha” que a Argentina tinha conseguido a medalha que tanto buscávamos no basquete.
E não parou por aí. Durante mais de duas décadas, apesar de termos talentos como Alex Garcia, Anderson Varejão, Thiago Splitter, Nene e Leandrinho, a nossa incapacidade de gerir o basquete só aumentou a nossa diferença. Enquanto eles ganhavam mais uma medalha, desta vez de bronze em 2008, o Brasil não botava os pés nas Olimpíadas desde 1996 em Atlanta. E tome manchetes do diário esportivo “Olé", com vitórias e mais vitórias.
Isso tudo acontecia e, mesmo nossas poucas vitórias - a do Pan do Rio ou eliminação que impusemos aos hermanos no Mundial de 2014, eram tratadas como desdém por torcedores argentinos, os famosos “hinchas”. Tivemos a chance de exorcizar todas as derrotas na Olimpiada do Rio, em uma partida que chamo de “o dia que o basquete nacional morreu”. Tivemos a chance de vencer a Geração de Ouro Argentina e deixamos escapar pelos dedos a vitória em casa. Mais do que perder por 111 a 107, o Brasil perdeu pelo menos uma década ali. E os “hinchas" não nos pouparam de todos os “elogios" e carinhos. Para “melhorar” nossa dor, o técnico da Seleção Brasileira era argentino e errou terrivelmente durante toda a partida.
Mais recentemente, uma renovada Argentina nos venceu novamente dentro de casa pela Americup, 75 a 73. Outras gerações, mesmo resultado.
Resumindo: aprendemos a duras penas, com derrotas que doem até hoje, que o foco da nossa energia não deve ser reverenciando com postura subserviente; é péssimo para nosso esporte. Temos que focar nossa energia em cobrar nossos dirigentes e comandantes do esporte em melhorar, aprimorar e, por que não, aprender como um país que nunca teve relevância nenhuma em um esporte em duas décadas se tornou uma potencia olimpica. Não estamos dizendo que isso ocorrerá no futebol, mas segurar a erosão de torcedores é fundamental para manter a relevância da seleção. E lembrem-se: a nossa reverencia a eles não é recíproca.
Sobe
New Orleans Pelicas - Zion Williamson está leve. Parece que depois de muita expectativa em relação à escolha numero 1 do draft de 2019, está se confirmando como uma das superestrela da NBA. Ao contrário do que ocorreu em toda a sua carreira, ele encontrou um time formado e bem-estruturado pelo técnico Will Hardy, e pode contribuir sem a pressão de ser o “salvador da pátria”. Os dois jogos com o Suns na última semana foram excelentes, e Zion marcou 35 pontos de média nos dois jogos. E, com todo respeito ao Chris Paul, que coisa linda aquela enterrada no final do jogo. Pelicans está em primeiro no Oeste e, se continuar nessa pegada, vai dar muito trabalho nos playoffs
Na mesma
Phoenix Suns - o Suns atingiu o seu patamar na temporada. O time continua competitivo, bem treinando, mas sem mudanças no elenco não existe possibilidade do time vencer o campeonato. Único fato novo em relação ao Suns, foi a noticia de que este grupo de jogadores não é muito bem visto pela liga (via notinha acima). Engraçado um grupo que tira onda em cima de outros na temporada que não ganhou nada.
Desce
Los Angeles Clippers - O que quer o Clippers na temporada? Que mensagem o time passa quando Paul George e Kahwi Leonard simplesmente não entram em quadra? Semana passada, a situação beirou o bizarro. Contra um jovem time do Orlando Magic, o Clippers entrou com força máxima no primeiro período, abriu uma vantagem e deu a partida como encerrada. Kawhi e Paul George colocaram os seus casacos e ficaram conversando no banco. Pois bem, o Magic tirou os 25 pontos de desvantagem no quarto período e volta correndo George e Kahwi para vencer a partida. Não deu certo, e o Orlando venceu na prorrogação. Bem feito.