NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete

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Jogo das Estrelas

NBB 2022

A temporada do NBB só pode ser considerada completa com seus cinco pontos principais: a temporada regular, torneio Super 8, Playoffs, finais e o Jogo das Estrelas. Tradicionalmente este último é o maior evento de comunicação da Liga Nacional de Basquete. Depois de 2021, com foco na experiência de quem estava em casa na TV ou no smartphone, o evento contou com o retorno do público à Arena para assistir ao que o basquete nacional tem de melhor a oferecer.

A sede de 2022 foi a mesma de 2021, o Rio de Janeiro. Esta foi a única semelhança. Com uma arena carioca, surpreendentemente funcional, com luzes, som e o providencial ar-condicionado a todo vapor, o NBB teve um palco à altura das expectativas.

O evento voltou para o formato de dois dias, sexta e sábado, com um toque um pouco diferente. Para atrair o público, no primeiro dia, a Liga Nacional colocou um jogo da atual temporada para abrir as festividades. O Flamengo, anfitrião não-oficial, enfrentou o Paulistano em uma partida disputadíssima. Vitória do Fla por 73 a 70. Finalizado o jogo, começaram as festividades.

 

Macaque in the trees
Alex Garcia não podia faltar no Jogo das Estrelas (Foto: FotoJump lnb)

 

No torneio de habilidades, o corintiano Zoom Fuller venceu o campeão de 2021, Kevin Crescenzi, na semi e na final, o jovem Gui Abreu do Pinheiros. Confira:

 

 

No melhor evento da noite, Scala do Franca venceu o torneio de 3 pontos com 24 arremessos convertidos. No ginásio, o locutor comentava que Marcelinho era o maior pontuador do campeonato com 23. Na verdade, Scala empatou com Shammell com os mesmos 24 arremessos convertidos.

 

 

Nas enterradas tivemos uma grata surpresa. Em uma decisão em cima da hora, a Liga nacional chamou crianças que estavam presentes na arena para serem os juizes. E não é que os pequenos se saíram muito bem? Na final, Túlio da Silva, do Flamengo, bateu Camargo do Pato basquete e ficou com o título.

 

Túlio da Silva do Flamengo venceu o campeonato de enterradas

 

No sábado, aconteceram os quatro jogos. Confesso que gosto muito deste formato em sem-final 4. A liga pegou 4 jogadores dos 4 primeiros colocados no campeonato (Franca, Minas, Flamengo e São Paulo) e através de escolhas dos jogadores desses times formou o Time Cablock, de Bruno Caboclo, do São Paulo, o Time DJack, de David Jackson, do Franca, o Time Deotado, de Gui Deotado ,do Minas, e o Time Monstrinho, de Yago, do Flamengo.

As partidas tinham 12 minutos e, caso terminassem empatadas, uma disputa de pênaltis seria necessária para avançar. Uma delas, entre o time Caboclo e Deodato, foi decidida desta forma por Marquinhos. Na "final", o time Caboclo venceu o time Monstrinho por 30 a 27. Lucas Mariano, do Franca, acabou eleito como o jogador mais valioso.

 

A partida final do Jogo das Estrelas teve seu maior momento na disputa de Marquinhos e Yago.

 

Balanço

A primeira notinha foi totalmente informativa com algumas observações sobre o evento. Agora vamos ao cerne desta coluna: qual a mensagem que o Jogo das Estrelas deste ano quis passar?

Vamos voltar um pouco no passado: em 2017 tivemos o maior Jogo das Estrelas da história, com o Ibirapuera lotado, presenças de todas as correntes e personalidades do basquete nacional, e um excelente palco para talentos atuais. Todos estes pontos trabalhavam para um objetivo, uma ideia, uma história. Era bem simples e direta: o basquete nacional está vivo!

Desde então tivemos um Jogo das Estrelas de 2018 muito bom, mas sem a surpresa do anterior, e outro em Franca em 2019. O de Franca tinha uma mensagem mais centrada na cidade, um dos templos do basquete nacional.

 

Macaque in the trees
Se a partida entre Flamengo e Paulistano tivesse uma prorrogação iria afetar a programação do Jogo das Estrelas. Um risco (Foto: Bruno lorenzo lnb)

 

Chegamos a 2022, e o que esse Jogo das Estrelas quis passar? Não sabemos. Ao colocar um jogo de temporada regular entre Flamengo e Paulistano, o que a Liga queria? Falar com seu público já convertido? Mostrar o NBB para um público novo? Aqui faltou uma ferramenta de comunicação clara. Nem estou falando de app do NBB, que seria a ferramenta perfeita para um leigo ou o fã do NBB acompanhar em uma segunda tela o que acontecia, mas pelo menos um folheto explicando para aquele menino que nunca viu um jogo do NBB. Afinal, um Flamengo e Paulistano é importante.

O NBB peca em não divulgar aos quatro ventos os seus jogadores e seus feitos. Vou pegar um exemplo bobo: no campeonato de habilidades, o armador Ricardo Fischer, do Brasilia, participou. Um menino de 11, 12 anos não tinha informação nenhuma do jogador ali, na hora. Ora, Fischer jogou no Bauru, Flamengo, Corinthians, MVP de jogo das Estrelas. Parece bobagem? Olhem o que a NBA faz. Pergunte para um menino que começou a se interessar por NBA quem é o calouro do Golden State Warriors e ele vai ter como responder porque existem diversas fontes de informação. E cadê as do NBB?

Fica realmente difícil responder qual era a persona ou o público que o evento queria atingir. Parece que não eram crianças e sim jovens ou os já convertidos. Não sabemos. No primeiro dia, o campeonato de enterradas, por exemplo, ocorreu quase às 22h15. Quase quatro horas depois do início da partida do Flamengo. Se cansa para adulto, imagina para crianças.

Um ponto que tinha melhorado nos últimos anos parece ter voltado à estaca zero. Que lembrança a pessoa pode levar do Jogo das Estrelas? Lembrança mesmo. Que seja uma camisa, um copo, qualquer coisa! Não tinha para vender nem um reles adesivo para colocar no celular ou notebook com a marca do NBB. Enquanto isso, na NBA House você fica com o copo do evento e tem a lembrança para sempre. Sabe o que você pode "levar" do Jogo das Estrelas esse ano? Um NFT de R$ 799.00. Isso é atingir o nicho do nicho.

Distribuiriam para o público aqueles balões de um patrocinador. Sabe o que poderiam distribuir também? Um programa do evento com nomes, ficha técnica dos jogadores e horários dos eventos.

Chegamos aqui ao estado atual do NBB. Todos sofremos com a pandemia. Nem vou enumerar o sofrimento pessoal de todos, mas as ligas esportivas sofreram muito. Para o NBB foi destruidor. Quando o espectador esportivo abraçou o digital, o maior trunfo do NBB, que é a proximidade com o torcedor, terminou. Para piorar, o campeonato de 2020/21 perdeu o conceito de multitelas sem a Bandeirantes e Fox Sports. Enquanto isso, a NBA ampliava o seu alcance com league pass, mais jogos e conteúdo feito aqui na TV fechada e um abraço nas plataformas digitais como Youtube e Twitch.

Em conversa na sexta-feira do Jogo das Estrelas saiu a informação que em 2023 teremos o Jogo das Estrelas em Minas Gerais e será um dos maiores da história. Tomara mesmo. Chegou a hora do NBB ter uma nova injeção de adrenalina para termos um campeonato que atravesse gerações.

 

3 Pontos com Arthur Barbosa Galdino

 

Macaque in the trees
Arthur aproveitou a FanFest para tirar uma foto com os trofeus do FlaBasquete (Foto: Arquivo Pessoal)

 

O Jogo das Estrelas deste ano iniciou a fagulha da paixão pelo NBB em alguns jovens torcedores. Um deles foi Arthur Barbosa Galdino, de 12 anos de idade. Torcedor do Flamengo e do Golden State Warriors, Arthur foi pela primeira vez a um jogo do NBB e ficou maravilhado. Confira o papo.

1. O que você achou do Jogo das Estrelas do NBB?

Arthur: Eu achei muito legal porque foi tão disputado quanto os da NBA. É muito legal ver que o Brasil também tem uma liga assim.

2. Além dos jogadores do Flamengo, por acaso você conhecia outros jogadores do NBB?

Arthur: Sim! Conhecia o Tyrone do São Paulo e o Lucas Dias, do Franca.

3. Você quer voltar em um jogo do NBB?

Arthur: Com certeza! O Flamengo jogou muito bem contra o Paulistano e agora quero ver o Flamengo jogando contra os outros times.



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Alex Garcia não podia faltar no Jogo das Estrelas
Se a partida entre Flamengo e Paulistano tivesse uma prorrogação iria afetar a programação do Jogo das Estrelas. Um risco
Arthur aproveitou a FanFest para tirar uma foto com os trofeus do FlaBasquete


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