NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete

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A definição do dicionário da palavra escapismo diz que o substantivo é o desvio mental dos aspectos desagradáveis ou enfadonhos do cotidiano, geralmente por meio de atividades que envolvem imaginação ou entretenimento. Durante algumas horas na última sexta (19) e no sábado (20), a Liga Nacional proporcionou um bom espetáculo para mostrar que pode ser uma boa válvula de escape para este período complicado que o país passa.

Como tudo nas nossas vidas, desde que começamos com a pandemia da covid-19, o Jogo das Estrelas foi completamente diferente de qualquer edição anterior. E digo tudo mesmo. Passando da quadra até a transmissão, a Liga Nacional de Basquete teve que se adaptar a estes sombrios tempos para transformar um evento fortemente baseado em aglomeração e interações com o público em ginásio em um espectáculo televisivo e digital.

Macaque in the trees
... (Foto: ...)

Se “quebrarmos” a mensagem do Jogo das Estrelas este ano temos três grandes pilares: Ação Social, evento e basquete. Não necessariamente em ordem de prioridade, por favor. Vamos ver um a um:

Ações Sociais

Macaque in the trees
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Com a acertada mudança do formato tradicional do jogo de fundo com Time Brasil contra Time Mundo para o formato de quatro times, a Liga Nacional de Basquete e o NBB utilizaram de sua plataforma para ajudar instituições apadrinhadas pelos capitães dos respectivos times. Tivemos 4 instituições:

1. Time Marquinhos (Flamengo), o jogador escolheu o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla (RJ), especializado no tratamento da covid-19.
2. Time Brabo, de Alex Garcia (Bauru), a instituição escolhida foi a creche Maria Ribeiro, em Bauru.
3. Time Shamell, de Shamell do São Paulo, foi o Hospital Infantil Darcy Vargas (SP);
4. Time Georginho, de Georginho, também do São Paulo, jogou pelo Hospital Santa Marcelina ( SP)

Acredito que independente de covid-19 (porque este inferno vai acabar), o formato com os quatro times deve perdurar junto com as ações sociais. Não tivemos ainda a divulgação de quanto foi arrecadado para as instituições, mas não importa. A Liga Nacional usou sua conhecida competência na criação de vídeos informativos (veja o video oficial aqui https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=vbd8rZN1l6E&feature=emb_logo ) e sua maior marca, que são os jogadores, para divulgar as instituições e colocar o público do NBB engajado. Definitivamente, um acerto. Quem quiser contribuir pode utilizar o link ( https://playforacause.com.br/NBB/ ).

Evento

Macaque in the trees
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Podemos usar todos os adjetivos, críticas e elogios para definir o Jogo das Estrelas, isso faz parte. O que não podemos perder de vista é que o Jogo existe por um simples motivo: receita. O evento traz uma boa receita para a Liga Nacional de Basquete que utiliza sua enorme plataforma para divulgar seu maior produto, que é o NBB. Trazer o componente social, especialmente este ano, é fundamental não só para esta edição, mas para as futuras. Mas não se enganem, o evento mostrou que o basquete nacional da Liga Nacional, seus times e associados, ainda pulsa e precisa do evento para manter este pulso ainda pulsando, como diz a música.

E o evento, como todo produto, teve erros e acertos. E o maior de todos acertos, sem dúvida, foi a quadra.“Esta é mesmo a quadra do Tijuca”? O espanto de algumas pessoas foi justificável. A quadra do tradicional Tijuca Tênis Clube nunca esteve tão bonita com belos telões de altíssima resolução e um belo show de luzes. E como foi um evento planejado para transmissões nas televisões (a ESPN e a TV Cultura transmitiram o evento) e on-line (Facebook Watch e Twitch), a acertada decisão de colocar os telões cercando 3/4 da quadra arrancou elogios e reações positivas ao layout. E o melhor de tudo, apesar de constantes anúncios de seus patrocinadores, o jogo e os torneios não foram em nada atrapalhados. Tirando o cômico “toco" de uma câmera em uma grua em um arremesso de Léo Demétrio. Nem isso atrapalhou. Acabou como parte do show.

Basquete

Macaque in the trees
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Por último chegamos no pilar final do Jogo das Estrelas: o basquete. Vamos começar por sexta-feira. As festividades começaram com a vitória de Kevin Cresceni, do time do Cerrado. Ele passou por Felipe Ribeiro, do Fortaleza, Wesley, do Mogi, na semi, e na final, por Luciano Parodi, do Minas.



No campeonato de 3 pontos, tivemos a vitoria do pivô Rafael Hettsheimeir, do Flamengo. Uma curiosidade aqui: a primeira rodada acabou sendo infinitamente superior à própria final. E o começo foi insano. O novato Matt Frierson, do Campo Mourão, chegou com tudo e anotou impressionantes 23 pontos. Hetts também teve os mesmo 23 pontos na fase de classificação, e acabou indo para a final no critério de desempate, já que acertou mais “bolas bônus” que Frierson. O grande momento, sem dúvida, foi Shamell. O maior pontuador do NBB chegou pressionado para bater os 23 pontos para ir à final, e conseguiu marcar 24 pontos! Passagem garantida para a final e, ainda por cima, Shamell é o novo recordista do torneio, batendo o lendário Marcelinho Machado, do Flamengo. Já a final ficou devendo. Apesar do ótimo desempenho na fase de classificação, a final acabou vencida por Hetts por 11 a 9. O pivô do Fla tem agora dois títulos da competição. Ele venceu em 2018 e agora em 2021.

 



Já o campeonato de enterradas confirmou que o jogador Mogi, que joga no time do Mogi, é um dos melhores “dunkers" desta geração NBB. Ele concluiu suas enterradas com a competência de sempre, e venceu ao pular sobre o gigante Mike, seu ex-companheiro de Botafogo. Cabe ressaltar aqui a excelente participação do vice-campeão Alex Dória, do Cerrado Basquete. Além de acertar as suas enterradas, a ideia de se vestir do personagem Billy Hoyle, do filme “Homens Brancos não sabem enterrar”, funcionou.

Para o ano que vem queremos Alex Doria, Mogi e Gui Deotado no campeonato de enterradas!


E chegamos ao evento de fundo aqui. Conforme mencionado na primeira parte do texto, o novo formato do Jogo com quadrangular está mais que aprovado. Mal posso esperar pelo evento do ano que vem, já com público, para acompanhar as reações de um possível game-winner que tivemos na primeira partida. Só faltou isso mesmo para dar nota 10 para o formato. Aprovadíssimo! Vejam como os 3 primeiros jogos tiveram placares apertados:

Jogo 1 - Time Brabo 26 x 24 Time Marquinhos
Jogo 2 - Time Georginho 23 x 21 Time Shamell
Disputa terceiro Lugar: Time Marquinhos 18 x 19 Time Shamell
Final: Time Georginho 16 x 26 Time Brabo
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Lucas Dias do Franca acabou escolhido como MVP pela sua performance nas duas partidas (14 pontos, 9 rebotes e 3 roubos de bola).

Saindo um pouco do evento e indo para o mundo on-line, vimos muitas reações contrárias ao evento devido ao nosso estado atual, seja sanitário, humanitário e de país. E todas elas estão corretas. Porém convém lembrar que a realização do Jogo das Estrelas não vai curar mazelas sociais e nem se propõe a isso. O Jogo existiu para garantir a sobrevivência do basquete enquanto esporte nacional. Já sabemos que o Governo Federal não realiza mais investimentos no esporte, apesar de todo o apoio de jogadores e técnicos ao atual governo na época da eleição, e os investimentos de patrocinadores serão cada vez mais escassos, já que a nossa economia se encontra em forte retração. O ponto é de sobrevivência aqui.

No final, deixo as palavras de uma pessoa que em qualquer lugar do mundo seria reverenciada por tudo que fez pelo esporte, o técnico do São Paulo, Claúdio Mortari. Em entrevista à ESPN, no final do jogo Mortari, com olhos marejados disse “Sofremos muito com toda esta situação que estamos passando. Só queríamos passar um pouco de diversão, mostrando o nosso trabalho.”



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