NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete

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Credit......

Zion

Um vídeo no Instagram pode durar de 3 a 60 segundos. Dá tempo de dar um rápido recado, fazer uma dancinha ou uma jogada memorável que pode ser curtida e compartilhada pelo mundo inteiro. Nos últimos três anos quem acompanha basquete recebeu em algum momento um vídeo de um jovem jogador chamado Zion Williamson. O jogador tem suas enterradas na nossas timelines desde o período no colegial, o high school dos americanos. Zion levantou o caneco de campeão no seu último jogo com números superlativos: 37 pontos, 17 rebotes e 6 tocos.

Macaque in the trees
Zion na espreita da chave do reinado da NBA (Foto: reprodução da internet)

O jovem talento acabou cobiçado por diversas Universidades. Depois de sua ida para a Universidade de Kansas ser cercada de desconfianças de violação das regras da NCAA (a confusão toda está aqui) Williamson acabou escolhendo Duke, do técnico Mike Krzyzewski. A passagem acabou marcada mais pela lesão que ele teve durante o jogo contra a Universidade de North Carolina onde o seu belo tênis Nike simplesmente explodiu (confira aqui). No seu único ano seus números foram 22.6 pontos, 8.9 rebotes e 2.1 em assistências. E nada de campeonato.

A ida para a NBA atiçou diversos times da NBA (o torcedor do Knicks sonhava com a possibilidade). Finalmente, seu destino acabou selado quando o New Orleans Pelicans venceu a loteria do ano de 2019. Escolha número um e expectativa nas alturas. Sua estreia na Summer League contra o Knicks foi o jogo de maior audiência da história da Liga de Verão na ESPN, com um aumento de 200% em relação ao ano anterior. Seu primeiro ano acabou marcado pela lesão logo no começo da temporada e a péssima forma física que ele exibiu na bolha da NBA. Seus números foram bons para um calouro com 22 pontos e 6 rebotes. O resultado para o time não foi o esperado: o time não chegou nem perto dos playoffs.

Entendo muito a paixão que Zion causa nas pessoas. As jogadas mesmo são impressionantes e o potencial dele é absurdo, mas será que colocá-lo neste holofote tão cedo não é prejudicial ao jogador? Estamos vendo o começo de carreira de um Hall da Fama ou somente mais um jogador que vai ser consumido pela máquina de "Hype" da NBA? Será que o impacto em resultados em quadra não importa mais? Me lembro quando Shaquille O'Neal entrou na liga em 1992 e seu Orlando Magic venceu 20 jogos a mais do que no ano anterior, quase mordendo uma vaga para os playoffs.

Para tentar entender o jogador, conversei com dois especialistas em high school e outro de college, além de um fã atual da franquia. Todos acompanharam Zion desde sua passagem pelo High School e no basquete universitário, e me ajudaram a entender se afinal Zion Williamson é somente um jogador fantástico ou um jogador-chave para a montagem de um time campeão.

Em seu período no colegial, o High School, Zion conseguiu atrair a atenção do mundo do basquete como a revista "Slam" e da ESPN. A comparação era com um outro jovem que fez sucesso desde muito cedo, um tal de Lebron James. Aqui no Brasil ninguém cobriu mais este período de Williamson do que o jornalista Felipe Souza do Blog do Souza. Confira a entrevista:

Considerando somente o período de high School, é justa a comparação de Zion com o Lebron James?

Felipe: Esta comparação existiu pelo porte físico e pelo que os dois fizeram neste período. Porém, Lebron teve desafios muito maiores que Zion. Por exemplo: Lebron jogou contra Oak Hill Academy, que tinha Carmelo Anthony em seu time em um jogo transmitido pela ESPN Americana. Já o Zion nunca teve aquela prova real, já que o time nunca se classificou para os torneios nacionais, ficando apenas com sucesso nos torneios regionais. Já em torneios AAU (partidas entre os melhores jogadores do high school) ele vai bem. Agora, a comparação entre Zion e Lebron é surreal. Tecnicamente, Lebron James é muito melhor.

A escolha por Duke foi uma boa para Zion?

Foi uma escolha boa para o jogo dele, mas a confusão com o Kansas (aqui) prejudicou bastante porque marcou muito esta parte da carreira dele. Como comentei, ir para Duke foi uma boa para ele, já que teve espaço para fazer o que ele fazia no High School e evoluir o jogo. Nesta época, ele evolui muito o trabalho dentro do garrafão. As pessoas esquecem devido aos highlights e videos de redes sociais que o jogo dele é multifacetado, com um bom arremesso de média distância e bolas de 3. Então, ele não era somente o cara que realizava enterradas. Mas nós sabemos como é. Um arremesso de 3 depois de um pick-and-pop não tem o menor charme em relação a uma enterrada em cima de um adversário.

Comparando o Zion de 3 anos atrás com o de hoje, podemos dizer que o jogo dele evoluiu?

Muito pouco. Claro que ele terá um impacto devido ao físico dentro do garrafão, de costas para a cesta ou em uma infiltração. É difícil pará-lo. E como ele consegue mudar a sua velocidade e tempo de reação apesar do seu tamanho (a NBA diz que Zion tem 2 metros de altura), pode fazer jogadas como o EuroStep. Vemos isso desde o High School. Contudo, hoje vejo que ele usa muito pouco os arremessos de média e longa distância. Hoje ele fica muito preso no poste baixo ou na infiltração. Teve uma mudança no jogo, mas não sei se é uma mudança muito boa para ele.

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Cada enterrada é um flash! Zion levou sua força para Duke em sua breve passagem pelo basquete Universitário (Foto: reprodução da internet)

 

Humm...

Para o período em Duke conversei com Rodrigo Lazarini, do LiveBasketball.br um dos maiores especialistas no basquete universitário no Brasil. Vamos as mesmas perguntas:

Como você avalia a ida do Zion para Duke?

Lazarini: Em 20 anos acompanhando o basquete universitário, devo confessar que nunca vi um jogador chegar com tanta expectativa, hype mesmo. Muito por conta dos vídeos de redes sociais ele chega já com milhões de seguidores e expectativa acima da média. O time era muito bom com RJ Barrett (hoje no Knicks) e Tre Jones. Só que no College a experiência conta muito. Já vimos diversos times com 5 ou 6 jogadores que são estrelas no High School e não encaixam quando vão para o próximo nível. O Coach K (Mike Krzyzewski) tentou equilibrar o time com o Zion, mas em quadra a coisa não aconteceu como imaginávamos. Mas, pessoalmente, acredito que a escolha dele foi acertada.

Como você avalia o período dele no College?

Se você pegar as estatísticas, somente os números, com as médias de quase 23 pontos e 9 rebotes em 33 partidas, mostram que o período foi bem produtivo. E ele soube aproveitar muito bem toda a atenção que a mídia americana deu à sua participação. Diversos jogos dele foram televisionados e ele foi muito competente em trazer os highlights do High School para o nível universitário

Comparando o Zion de três anos atrás com o de hoje, podemos dizer que o jogo dele evoluiu?

Sinceramente, não vejo uma grande evolução no jogo dele. Ele sempre é aquele cara atlético que pega e enterra, dando tocos, mas ainda parece muito pesado. Isso mostra que ele precisa se dedicar mais ao físico. E me preocupa como será o acompanhamento de carreira dele. Jogadores que têm tendência a ganhar peso na pós-temporada da NBA têm histórico de lesões. Ele precisa se manter saudável para que ocorra a esperada evolução gradativa. Se ele será um Hall da Fama quando a carreira dele terminar? Acho muito difícil. Enquanto ele não cuidar do físico, não confio no Zion.

***

Procurei uma visão diferente para seu começo entre os profissionais e trouxe para a discussão o Gilson Makimoto, fã de longa data do New Orleans Pelicans. Neste ponto fui bem direto.

Zion é para valer ou não?

Com certeza, a comissão técnica tem trabalhado em seu playmaking (criar jogadas), destravando o Point Zion ( utilizar o jogador para armar o time) e já ostenta uma marca de 7-1, quando distribui mais de 5 assistências.
Apesar de seu jogo ainda se basear em pontuação próximo à cesta, ele tem toda a ética de trabalho e vontade para evoluir no controle de bola e chute de 3 pontos.
Se a franquia focar em cercar ele e o Brandon Ingram de boas peças complementares, que reduzam seus gaps, além de seguir com o bom trabalho de fisiologia de Aaron Nelson, a expectativa é que os Pelicans se tornem contenders (postulantes ao título da NBA) em 2-3 anos.

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Vinte e dois anos anos, escolha número um do draft, principal jogador em uma franquia da NBA, capa do NBA 2k21 e agora All Star. As chaves do reino estão à disposição de Zion Williamson. Será que ele consegue sair dos 8 segundos do Instagram para a eternidade do seleto grupo de campeões da NBA? Não sabemos a resposta. Só temos certeza que não será com likes e shares que ele conseguirá trazer o campeonato para o Pelicans.

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Do meio da rua Damian Lillard do Portland vence o All Star Game para o Time Lebron (Foto: reprodução da internet)

Rapidinhas do All Star

Sono

Com exceção do torneio de três pontos e uma batalha entre os companheiros de times, Damian Lillard, do Portland, TrailBlazers e Steph Curry, do Golden State Warriors, nos minutos finais do segundo período, o evento foi bem insosso. Uma pena. Ano passado, o evento foi memorável e completamente esquecível.

Porém....

Se bem estou sendo injusto, este All Star será lembrando pela bizarra história dos jogadores do 76ers Ben Simmons e Joel Embiid que acabaram cortados do jogo porque foram cortar o cabelo no dia anterior e o barbeiro estava com Covid-19.

Détant

A presença da vice-presidente americana, Kamala Harris, em uma entrevista na abertura do All Star Game mostra que a NBA e seus jogadores fizeram de vez as pazes com a Casa Branca.

Complexo de vira-lata

Bem deselegante a NBA não convidar um mísero jogador do Hawks para qualquer evento do All Star Game. Não caberia o Trae Young no campeonato de 3 pontos?



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Zion na espreita da chave do reinado da NBA
Cada enterrada é um flash! Zion levou sua força para Duke em sua breve passagem pelo basquete Universitário
Do meio da rua Damian Lillard do Portland vence o All Star Game para o Time Lebron