NAS QUADRAS - Tudo sobre basquete

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Criança mimada

Vamos voltar 11 anos no tempo para o ingênuo ano de 2010. Mais precisamente no dia 8 de julho de 2010. Para quem ainda não se ligou, ocorreu nesta data o infame “The Decision” de Lebron James. O mais cortejado agente-livre da história aceitou levar os seus talentos para South Beach e em conjunto com Dwyane Wade convenceu Chris Bosh do Raptors a se juntar aos dois e vencer não um, mas dois, três, quatro, cinco, seis títulos em Miami.

Não foram todos os títulos que Lebron prometeu, mas o sucesso da parceria foi inegável. 4 idas às finais com 2 vitórias sobre um jovem OKC Thunder de Kevin Durant e James Harden e o San Antonio Spurs de Tim Duncan. Mais que criar o conceito de Big3, começou ali uma era que perdura até hoje, e podemos ter visto o começo do seu fim com a troca de James Harden para o Nets.

Os superstars comandam as tendências da Liga. Historicamente sempre foi assim. Temos diversos exemplos como o de um jovem Magic Johnson que, em 1982, bateu de frente com o técnico Paul Westhead logo no seu segundo ano na Liga. E sobrou para o técnico. Como eu falei, superstars mandam na liga. Lebron somente pegou toda a liberdade que a posição de superestrela tem na NBA e multiplicou milhares de vezes, tornando GMs, agentes e donos de franquia meros peões neste tabuleiro.

Mas Lebron é Lebron. Ao contratá-lo, a franquia sabe que será alçada a outro patamar esportivamente e comercialmente. Depois… bem, perguntem para os fãs do Heat e do Cavs o que acontece depois.

Macaque in the trees
Entrevista em 7 segundos ou menos. Bye-bye Houston, Hello Nets (Foto: Foto: reprodução)

Já James Harden é outra história. Parece que nada é suficiente para o barbudo mais famoso da NBA. Saiu de OKC para comandar um time, queria o Howard de pivô, queria o Chris Paul e depois o Westbrook. Tudo, absolutamente tudo, o Rockets deu para o jogador. Ah, sim. Não podemos esquecer que ele queria o contrato e conseguiu um de 4 anos que pode pagar até 228 milhões de dólares.

Harden, no período que esteve no Texas, foi MVP em 2017-2018, All Star 7 vezes e 3 vezes líder em pontos na NBA. Números superlativos para qualquer jogador. Só um número faz falta nesta estatística: o de campeão da NBA. Apesar de todos os esforços do time, em quadra com Harden eles não conseguiram dar o próximo passo. Tiveram uma chance clara contra o Warriors e a lesão de Chris Paul atrapalhou. Todas as derrotas reafirmaram a narrativa que Harden era um jogador na temporada regular e outro nos playoffs.

Para esta temporada 2020/2021, o jogador fez tudo errado. Festas durante a pandemia, chegar nos treinamentos fora de forma e o pior, exigir troca ao time que lhe deu absolutamente tudo. E ainda tivemos que ler um papinho torto que surgiu em redes sociais dizendo que o jogador queria sair porque o dono da franquia é eleitor do Trump. Uma balela sem tamanho.

Depois de mais uma derrota, desta vez para o Lakers, 117 a 100, na última terça, o jogador disse que não tinha condição de continuar. Na quinta tivemos a troca que envolveu Nets, Rockets, Cavs e Pacers que veremos na notinha a seguir.

Os donos de franquias não são bobos e dinheiro é coisa com que não se brinca. O movimento de Harden pode prejudicar jogadores no médio e longo prazoS com GMs e donos de franquia não querendo se comprometer com salários altos por longos períodos. Isso é péssimo para a NBA, já que um dos grandes baratos da liga é ver o time de tal jogador passar pelo time do jogador. Como o Bulls de Jordan vencendo o Pistons de Isaiah Thomas.

Agora, se James Harden é a peça para o Nets vencer o campeonato, veremos somente nos playoffs. O Nets foi para o All-in, abandonando aquela filosofia de desenvolver jogadores e indo para o vencer já. Já vimos este filme no próprio Nets. E o final não foi legal não…

Macaque in the trees
O Cavs olha para o futuro (Foto: Foto: Jason Miller)


É TETRA

Vamos mudar um pouco o rumo da prosa para acalmar os ânimos. Se olharmos para o lado de quadra e montagem de time entende-se que a supertroca acabou não sendo ruim para nenhum dos 4 times envolvidos.

Vamos recapitular o que aconteceu: o Houston mandou para o Nets James Harden, o Nets mandou para o Cavs o pivô Jarret Allen e o ala Taurean Prince e para o Houston o armador Caris LeVert (mais sobre ele mais tarde) e o ala Rodions Kurucs e (o que o Rockets realmente queria), três escolhas de primeira rodada no drafts de 2022, 2024 e 2026, e quatro picks swap também de primeira rodada em 2021, 2023, 2025 e 2027. O Rockets ainda recebe do Cavs o armador Dante Exum e uma escolha de primeira rodada do Cavs (via Milwaukee), e finalmente o Nets pegou de “troco de bala” uma escolha de segunda rodada do Cavs para fechar. A troca de Caris LeVert para o Indiana por Victor Oladipo não se confirmou até o fechamento desta edição, devido à descoberta de um tumor no fígado do jogador.

O Nets conseguiu o que “queria”: James Harden. Adeus jogadores recuperados de outras franquias e olá superestrela que vai nos levar à Terra Prometida. Será mesmo? O Nets tem problemas na defesa e sem Jarret Allen ficou somente com De’Andre Jordan como pivô de ofício. O GM Sean Mark já disse que irá ao mercado buscar alternativas. Há um cheiro do recém-aposentado Noah no ar….

O Cavs continua fazendo o seu dever de casa e remonta o time pouco a pouco. Allen e Prince são jovens e boas adições ao elenco que tem Colin Sexton e Darius Garland. Além de permitir que o time vá ao mercado. Qualquer time que busque tamanho (e um alto contrato) o Cavs pode trocar tanto Andre Drummond quanto Kevin Love. Sugestão: Drummond em Dallas e Love no Wolves? Que tal?

Já o Rockets conseguiu ter um futuro de volta. Depois de ver o GM Daryl Morey gastar todos os ativos possíveis na busca do título, o Houston se viu sem picks e sem futuro. Quase um novo Nets. E foi deste Nets que surgiram as escolhas de draft que pelo menos garantem o time na loteria.

O Indiana fez muito bem em se livrar da “mala" Oladipo. O jogador já tinha avisado que não ia ficar em Indiana para a próxima temporada, e vinha conversando com outros jogadores para arrumar uma vaguinha em outra franquia. Uma pena para o Pacers mesmo a situação de Caris LeVert, que não tem previsão de volta às quadras (como comentamos acima).
E Oladipo ainda teve a cara de pau de dizer que não fica em Houston e quer ir para o Heat. Que mala.



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Entrevista em 7 segundos ou menos. Bye-bye Houston, Hello Nets
O Cavs olha para o futuro