Tucano afirma: PT é "desonesto" por explorar caso Paulo Preto

O senador oposicionista Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou, nesta terça-feira (19), ser "desonesto" por parte do Partido dos Trabalhadores (PT) explorar às vésperas do segundo turno o episódio de um suposto desvio de R$ 4 milhões da campanha do tucano José Serra. Nesta tarde, os líderes do governo e do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Fernando Ferro (PT-PE), protocolaram na Procuradoria Geral da República (PGR) um pedido de investigação contra José Serra e contra o ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto.

Segundo reportagem da revista Isto É, Paulo Preto teria fugido com R$ 4 milhões arrecadados para a campanha de Serra ao Palácio do Planalto. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o engenheiro negou ter arrecadado recursos para o PSDB, mas disse ter criado as melhores condições para que houvesse aporte de recursos em campanha, ao dar a palavra final e fazer os pagamentos no prazo às empreiteiras terceirizadas que atuaram nas grandes obras de São Paulo.

"Soltaram um boato e estão correndo atrás para ver se encontram. Foi um balão de ensaio para ver se pegava. Acho que isso é desonesto por parte do PT. Quando acontecem nessa hora da campanha, ficam sob suspeição", disse o senador tucano. Nesta segunda-feira (18), Dias assinou representação em que pede também na PGR investigação contra o diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras, Valter Cardeal, citado, entre outras suspeitas, porque teria conhecimento da emissão de garantias fraudulentas para que empresas brasileiras obtivessem do banco alemão KfW recursos de 157 milhões de euros. Cardeal é ligado à candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff.

"É a estratégia da reciprocidade, é o revide. Não tem consistência. Essas representações (de Vaccarezza) ficam sob suspeição porque vêm na forma de revide. Por que não fizeram antes? Só agora a providência? Isso é tentar confundir a opinião pública e pode estabelecer uma confusão na cabeça do eleitor", opinou Alvaro Dias, afirmando em tese que, se houve qualquer irregularidade no caso Paulo Preto, o episódio não pode ser classificado como caixa dois de campanha.

"Se houve (desvio de R$ 4 milhões) foi um achaque a empresários sem a autorização da campanha. Se não chegou à campanha, não tem como ser caixa 2. Se houve achaque, é com ele (Paulo Preto), não é com o candidato. Mas ele disse que não houve", declarou o parlamentar.