Gabeira faz visita relâmpago a cidade da Baixada do Rio

Durante apenas meia hora, o candidato do PV ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, andou pelo centro de Queimados, cidade na Baixada Fluminense, a 50 km da capital, passando menos tempo em suas ruas do que no percurso, de quase uma hora, pela Rodovia Presidente Dutra.

Com uma entrevista ao jornal O Dia marcada para o início da tarde, Gabeira justificou o corpo a corpo "vapt-vupt" pelo tamanho do município, com 140 mil habitantes, mas vazio às 11h10, quando a comitiva chegou ao calçadão central, por se tratar de uma chamada "cidade-dormitório", onde boa parte da população adulta e empregada trabalha na capital ou em cidades maiores da Baixada, como Nova Iguaçu.

"Foi muito rápido porque (o local) é muito pequeno", justificou Fernando Gabeira, que, após chegar às 11h10 no centro de Queimados, deixou a cidade às 11h44, mal tendo tempo de cumprimentar o ex-superintendente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e candidato a deputado estadual Rogério Rocco (PV), que acabava de chegar, atrasado.

Nas ruas de Queimados, o candidato ouviu velhos estigmas, dos quais raramente consegue escapar, como o "Gabeira, quem não fuma, cheira!", gritado por um homem sem camisa, aparentemente alterado. Após atravessar a estação de trem, uma adolescente pediu: "Gabeira, libera a erva pra gente!". "Não posso, só o parlamento", respondeu, rindo, o deputado federal há 16 anos consecutivos.

Em uma região que sofre falta de abastecimento de água, Fernando Gabeira também falou sobre o paradoxo de ela ser atravessada pelo Rio Guandu, cujo reservatório, já em Santa Cruz, na zona oeste da capital, é o maior da América do Sul e responsável por 80% do abastecimento de toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro - da qual a Baixada Fluminense faz parte.

"A água passa no Guandu, maior reservatório do continente, mas não fica aqui (na Baixada Fluminense), passa (para a capital). Uma solução seria usar a água que desce de Tinguá (reserva biológica entre a Baixada e a Região Serrana), mas os dutos são muito antigos, com cerca de 80 anos, então muitas vezes se rompem. Acredito que deveriam ser reconstruídos", afirmou, admitindo que para uma obra desse tamanho talvez fosse necessária ajuda federal. "A Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) provavelmente não daria conta só".

Gabeira deixou a cidade de Queimados sem saber que, há pouco mais de uma década, outro problema então crônico de seus habitantes acabou sendo resolvido por um processo que ele defendeu na Câmara dos Deputados: a privatização do sistema Telebrás. Foi quando moradores dos bairros mais afastados do centro conseguiram comprar telefones, pelos quais esperavam até 20 anos pelo Plano de Extensão da extinta Telerj - companhia estadual de telecomunicações do Rio de Janeiro.