PF monitora cabo eleitoral preso em 2008 por compra de votos na Paraíba

A Polícia Federal da Paraíba está monitorando os passos do cabo eleitoral Iomar Rodrigues dos Santos - mais conhecido por "Votinho de Ouro" - e de candidatos ligados a ele. A informação foi repassada a reportagem do Terra por uma fonte da própria PF paraibana. Em 2008, Iomar foi preso duas vezes antes do primeiro e segundo turno das eleições.

O delegado chefe da Delegacia de Defesa Institucional (Delist) e coordenador das operações especiais da PF nas eleições 2010, Derly Brasileiro, não confirmou nem negou que o monitoramento estivesse sendo feito, mas revela que cabos eleitorais estão mentindo para o eleitor na hora de comprar o voto.

Segundo Brasileiro, alguns eleitores do município de Sousa, no Sertão da Paraíba, o procuraram para questionar se é possível alguém identificar o voto dado na urna eletrônica. "Disseram que em 2008 foram abordadas por cabos eleitorais onde ao negociar os votos em troca de dinheiro, mostravam um computador dizendo que tinha como saber em quem aquele eleitor que se comprometeu em votar em determinado candidato em troca dinheiro tinha votado".

O delegado reforçou os esclarecimentos dados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba de que a urna eletrônica é inviolável. "Nem mesmo a justiça eleitoral tem condições de saber em quem o eleitor votou".

Sem citar nomes, ele lembrou o esquema que foi revelado a partir da prisão do cabo eleitoral Iomar Rodrigues em 2008 dois dias antes do primeiro turno e 14 dias depois. "Surgiu investigação a partir do fato de que uma pessoa abordava líderes comunitários e solicitava deles que conseguissem um número de eleitores e, ao final de uma reunião, dizia que tinha como saber em quem essas pessoas votaram o que não é verdade".

A primeiro prisão de "Votinho de Ouro" em 2008 foi num bar na orla de João Pessoa, após ter sido denunciado por compra de votos. Na ocasião, a PF apreendeu cerca de R$ 8 mil em seu apartamento.

Um dia depois das eleições, vários eleitores reclamaram que teriam recebido calote de um dos vereadores eleitos. Um cabo eleitoral teria prometido R$ 70 pela boca de urna, mas não apareceu para quitar a dívida. "Votinho de Ouro" teve seu nome relacionado a essas denúncias.

Catorze dias depois, Iomar foi preso novamente, junto com o candidato a vereador derrotado em João Pessoa Lamark Leitão (PSL), ambos acusados de compra e venda de votos. As prisões foram preventivas, decretadas pelo então juiz eleitoral Aluízio Bezerra, após receber diversas denúncias.

Nas Eleições deste ano, já chegaram informações a Polícia Federal de que Iomar voltou a agir no interior do Estado. A reportagem tentou entrar em contato com o cabo eleitoral por telefone, mas todos os números estavam desativados. Segundo o delegado Derly Brasileiro, Iomar Rodrigues não está mais usando nenhum dos números que foram monitorados pela Polícia Federal em 2008.