Marina diz que não vê em escândalos chance de ir para o 2º turno

Luciana Cobucci, Portal Terra

BRASÍLIA - A candidata do Partido Verde à presidência da República, Marina Silva, afirmou nesta terça-feira (14) que não vê nos recentes escândalos de vazamento de dados da Receita Federal e da denúncia de tráfico de influência na Casa Civil uma oportunidade para levar a disputa para o segundo turno. Marina participou da abertura do 14º Congresso Nacional dos Policiais Federais, em Brasília. O candidato tucano, José Serra, e a petista, Dilma Rousseff, foram convidados, mas não compareceram ao evento.

"Não quero e nem enxergo nesse tipo de oportunidade uma chance para o segundo turno. Preferia que isto não tivesse acontecendo. Não quero uma campanha 'quanto pior, melhor'. Isso é ruim apenas para a população, já que nada é debatido e há apenas troca de denúncias. Não quero embate, quero debate; quero processo político, não plebiscito", afirmou.

Marina Silva defendeu a apuração dos fatos e a punição dos envolvidos. "Vejo que são denúncias graves e que o tráfico de influências não pode, de forma alguma, estar presente no poder".

Durante a abertura do evento, a candidata do PV afirmou ainda que se for eleita, governará junto com os demais partidos. "Tenho dito que quero governar com os melhores do PT, PMDB e PSDB. Essas pessoas existem", disse.

Marina Silva defendeu a profissionalização das polícias e o aumento da remuneração dos policiais. "Se um policial ganha R$ 900 e é obrigado a fazer 'bicos' para sustentar sua família, que segurança tem a população e o policial? Esses trabalhadores precisam de formação continuada e salário justo. O que eu quero é Estado profissionalizado, para evitar o que aconteceu na Receita há pouco tempo", disse.

A candidata do Partido Verde reconheceu e elogiou as conquistas políticas e econômicas dos governos de Fernando Henrique Cardoso e do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirmou que ainda é preciso solucionar outros problemas do País.

"Ainda não fomos capazes de gerar igualdade de oportunidade para todos os brasileiros. Além disso, vivemos um caos urbano, em que as pessoas ficam três horas no trânsito, num país em que 80% das pessoas não têm acesso a esgotamento sanitário. O Brasil também vive um apagão de mão de obra, onde não temos educação que gere conhecimento, tecnologia, inovação", disse.