Em clima ecumênico, Plínio se destaca novamente em debate

Portal Terra

S O PAULO - No debate organizado por emissoras ligadas à Igreja Católica entre os candidatos à Presidência, o auditório da Faculdade Santa Marcelina foi tomado por um clima ecumênico. Jornalistas foram acusados de agir de "má fé" por sentar em locais que não lhes eram destinados. José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) usaram uma entrada lateral para evitar contato com a imprensa. Plínio de Arruda Sampaio (Psol), midiático que só, desceu até o saguão onde os repórteres ficaram confinados.

Na primeira fileira da plateia, freiras vestidas todas de branco. Para fazer jus ao clima sacro, os candidatos primaram pela cordialidade. Todos foram recebidos por aplausos calorosos. Primeiro Plínio, depois Marina e por último Serra. Ao chegar ao estúdio, Geraldo Alckmin (PSDB) - que mantém relações estreitas com a igreja - recebeu "tchauzinhos" animados de todas as beatas. No primeiro intervalo do programa, o candidato ao governo de São Paulo cumprimentou todas as dez irmãs, uma a uma. Dilma Rousseff (PT) alegou incompatibilidade em sua agenda de campanha para não comparecer ao debate. A bancada vazia com a placa que trazia o nome de Dilma permaneceu durante todo o debate.

O release do evento alertava: as perguntas que norteariam o debate seriam todas de acordo com os valores dos religiosos, e os católicos mostraram seu poderio de fogo logo de cara. Na primeira questão da "conversa entre os candidatos à presidência, que alguns chamam de debate" - de acordo com o padre César Moreira, moderador do evento - organizada pela TV Canção Nova e pela Rede Aparecida, um jornalista das emissoras católicas disparou: "um candidato deve acreditar em Deus?", uma resposta errada para essa pergunta jogaria por terra toda a estratégia de qualquer um candidato.

Plínio não se fez de rogado e aproveitou seu tempo para atacar a ausente Dilma, que, durante o confronto-conversa, recomendou a seus seguidores no Twitter o novo álbum da banda mineira Pato Fu. O socialista não poupou a ausente petista: "ali deveria estar uma pessoa. Mas não está. Sabem o que ela está fazendo? Está tuitando. Amanhã ela terá que se explicar".

"Existe um candidato que não poderia faltar aqui. Todo o mundo cristão sabe quem é o José Serra, a Marina Silva e o Plínio, mas quem é essa senhora? Ninguém conhece, ela foi inventada pelo Lula. Ela é uma incógnita". Plínio arrancou aplausos empolgados da plateia, fazendo com que todos rissem, até o mediador do debate, que recomendou: "menos, por favor", meio sem graça em fazer isso.

No início do segundo bloco, o apresentador saudou os padres, bispos e, alertado por Serra, saudou as irmãs. Serra, então, mandou o seu "tchauzinho" para as moças de branco. Marina foi avisada no intervalo de que seu xale estava no mesmo tom que o fundo do cenário. A verde começou o segundo round sem o apetrecho. As falas da candidata mais se assemelharam às de um pastor em pregação. Ela estava arredia pela 'desvantagem' de ser evangélica. Algumas de suas respostas certamente não agradaram aos fiéis católicos.

Na "sala de imprensa", a organização do evento monitorava a quantidade de vezes que o debate aparecia nas redes sociais. Até as 22h44, 1.800 pessoas tinham 'retuitado' a hashtag 'debate canção nova'. As respostas dos três candidatos a perguntas sobre aborto, sexo, reforma agrária, propriedade de meios de comunicação e violência foram todas convenientemente cuidadosas para não polemizar demais com os valores episcopais - com uma rara exceção: a defesa que Marina fez de um plebiscito para decidir sobre a legalização do aborto no Brasil. A segunda parte do debate foi marcada por uma forte polarização entre Marina, a candidata do PV, e Plínio de Arruda Sampaio.

No intervalo do segundo para o terceiro bloco, foi a vez de Serra ir afagar as freiras. De uma delas, ganhou uma imagem de Jesus com a frase: "não tema, estou contigo". Geraldo Alckmin se retirara do auditório neste instante e Marina se mostrou chateada com a postura de Plínio. Na primeira resposta do terceiro bloco, S