Marcela Rocha e Raphael Cortezão, Portal Terra
MANAUS - O senador e líder do PSDB Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) disse que concorda com as críticas feitas pelo ex-deputado federal e presidente do PTB, Roberto Jefferson, pelo Twitter, em relação à condução da campanha de José Serra (PSDB) à presidência pelo marqueteiro Luiz González.
Em sua página do Twitter, Roberto Jefferson criticou a postura centralizadora do marqueteiro de Serra e afirmou que os políticos do grupo do candidato não são ouvidos durante o processo de elaboração de importantes peças de campanha. "Se González ouvisse um pouco os políticos, não poria no ar uma favela fake, nem 'bobajol do Zé'", escreveu o presidente do PTB, se referindo ao jingle em que o candidato é chamado de 'Zé Serra'.
Em entrevista concedida ao Terra em Manaus, no último dia 20, durante a visita de José Serra ao Amazonas, o senador tucano e candidato à reeleição relatou sua insatisfação com o modo de trabalho do marqueteiro em campanhas eleitorais, disse que não acredita nas pesquisas de intenção de voto feitas pelos institutos Vox Populi e Sensus e ainda defendeu o uso da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa eleitoral de Serra na TV.
Como o senhor avalia as declarações do presidente do PTB, Roberto Jefferson, sobre a campanha eleitoral do candidato José Serra?
Obviamente, é preciso estar muito bem assessorado para atender bem a expectativa dos demais partidos que integram o grupo. Se o presidente do partido diz isso, devemos ouvir com humildade com espírito construtivo, procurando corrigir as lacunas. Ele reclamou da característica do marqueteiro de centralizar e eu concordo. Foi assim na campanha do Geraldo Alckmin para a presidência há quatro anos, ele tem dificuldade de ouvir a opinião dos outros.
Você diz isso em relação ao próprio Luiz González ou ao candidato José Serra?
Falo sobre González. É sempre ele e o esquema dele. No segundo turno da campanha do Alckmin, me senti um garoto propaganda. Eu ia aos programas de TV, quando havia debate entre Lula e Alckmin, e sempre ao início e ao fim dos debates eu era ouvido de um lado, o Mercadante (senador Aloízio Mercadante, candidato ao governo de São Paulo pelo PT) era ouvido de outro. Eu sempre falava no início que Alckmin ganharia o debate, já ele falava que Lula ganharia. Ao final eu falava que Alckmin tinha vencido e o Mercadante dizia que Lula tinha ganhado. Era só colocar um gravador e pronto, porque as nossas opiniões valiam bem pouco. As pessoas nos procuravam naturalmente pela posição de liderança, mas como não se tinha um papel substantivo na campanha, de opinar e dizer que o rumo está errado, pouco significava o que era dito.
Como fazer para evitar problemas como esse nestas eleições?
Acho que é importante ouvir o partido, ouvir as pessoas. As pessoas tem que opinar com clareza, indicando o que acham que está errado na campanha e propondo soluções.
O senhor acha que já é tarde para fazer isso, faltando apenas 45 dias para as eleições?
Não acho. Na campanha passada eu comecei com 45 dias e ganhei as eleições. Tenho um respeito enorme por pesquisas do Ibope, Datafolha e por um instituto que não está publicando pesquisas, o GPP. Os outros dois me desculpe mas não tenho na mesma conta. Reconheço, com esses números todos, com exceção desses dois, que há uma dianteira da candidata adversária, mas até então nada irreversível.
Os outros dois institutos de que o senhor fala são Sensus e Vox Populi?
Sim. Como havia dito, reconheço a vantagem da candidata adversária, mas não considero algo intransponível. Os números do segundo turno dos três institutos são números bastante tranquilos. O Datafolha dá nove pontos, que na verdade são 4,5. O 'tracking' (pesquisa de opinião eleitoral de curta periodicidade) do Serra dá equilíbrio, um pouco melhor para ela. Estendido a uma pesquisa mais ampla, o tracking dá mesmo essa diferença de quatro ou cinco pontos, disso eu não duvido. A campanha vai decidir bastante daqui para frente, não podemos errar no que ap