Para 30% da indústria, fusão Pão de Açúcar-Carrefour será negativa

Pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que 30% da indústria nacional de todos os segmentos consideram que a eventual fusão entre os grupos Pão de Açúcar e Carrefour vai ter impacto negativo sobre o mercado. O resultado da pesquisa já mostra um impacto muito grande na cadeia produtiva, disse nesta quinta-feira o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

Segundo ele, os consumidores também sairão perdendo. "Vai diminuir a opção de compras. O vendedor e produtor de mercadorias para supermercados serão prejudicados. Na outra ponta, o consumidor também será prejudicado".

Para Gouvêa Vieira, o argumento de que a fusão ampliará as exportações do Brasil não faz sentido. "Senão, essas empresas já estariam exportando. E não há razão para exportar apenas porque uma empresa brasileira terá 11% do capital de uma empresa estrangeira".

O presidente da Firjan admite que ocorra concentração econômica na indústria, com objetivo de ganhos em termos de competitividade. "No comércio, é exatamente o inverso. No comércio, quanto mais pulverizado, melhor".

Entenda

O grupo francês Carrefour anunciou em 28 de junho ter recebido uma proposta de fusão de ativos no Brasil com os da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), do grupo Pão de Açúcar. A operação precisa ser aprovada pelos acionistas dentro dos próximos 60 dias. O BNDESPar e o BTG Pactual foram os parceiros escolhidos por Abílio Diniz para tentar concretizar a união, em uma complexa operação para não ferir acordo de acionistas.

Diniz e Pão de Açúcar estavam impedidos de negociar diretamente com o Carrefour sem o consentimento do grupo Casino, que detém 43% da rede brasileira, devido a cláusulas do acordo de acionistas firmado em 2006. De qualquer forma, a união entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil não sairá sem a aprovação do sócio francês. Pelos termos apresentados, a Gama e o BNDESPar formarão a Nova Pão de Açúcar (NPA). Após uma série de etapas, o Carrefour terá sua operação no Brasil incorporada pelo Pão de Açúcar.

A proposta envolvendo o Carrefour no Brasil surge depois que o Pão de Açúcar comprou nos últimos anos Ponto Frio e Casas Bahia, consolidando sua liderança no varejo do País. As duas aquisições ainda não passaram pelo crivo do órgão antitruste, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A proposta prevê que a aquisição das lojas do Carrefour no Brasil por meio da Gama, fundo de investimentos do BTG Pactual, vai ocorrer com investimento de 1,7 bilhão de euros do BNDESPar e de 300 milhões de euros pelo BTG Pactual, que também vai arcar com dívida de 500 milhões de euros da varejista francesa no Brasil. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também estuda participar da sociedade, com cerca de R$ 4,5 bilhões.