Mantega irá ao Senado explicar "interferência política" na Vale

BRASÍLIA - A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira um requerimento convidando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para explicar suposta interferência política na direção da mineradora Vale. Mantega teria pedido ao presidente do Bradesco, um dos principais acionistas da Vale, Lázaro Brandão, que articulasse a substituição de Roger Agnelli no comando da mineradora.

O executivo Murilo Ferreira foi indicado pelos acionistas da Vale a ocupar o lugar de Agnelli. A indicação depende de aprovação do Conselho de Administração da Vale e, se aprovada, Ferreira poderá substituir Agnelli no próximo dia 22 de abril, quando termina o mandato do atual presidente.

 

Murilo Ferreira, 58 anos, é administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), com pós-graduação em Administração e Finanças pela FGV do Rio de Janeiro e especialização em M&A pela IMD Business School, em Lausanne, na Suíça. 

Com mais de 30 anos de experiência no setor de mineração, ele ingressou na Vale em 1998 como diretor da Vale do Rio Doce Alumínio, atuando em diversos cargos executivos até sua saída em 2008, quando era presidente da Vale Inc e diretor executivo de Níquel e Comercialização de Metais Base da Vale, quando foi substituído por Tito Martins.

Agnelli

Roger Agnelli preside a Vale desde 2001. Em 2008, durante a crise econômica, a Vale demitiu quase 2 mil trabalhadores, medida que irritou o governo Lula, que, até então, mantinha um bom relaciomento com Agnelli. Em 2009, Lula criticou a Vale: em sua opinião, a empresa precisava exportar mais valor agregado, e não somente minério de ferro.

Mesmo privatizada em 1997, o governo exerce influência na Vale por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de fundos de pensão de empresas estatais liderados pela Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), acionistas da mineradora.