FMI anda 'extremamente preocupado' com inflação no mundo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está preocupado com o aumento dos preços dos alimentos, especialmente pelo fato de os pobres serem os mais vulneráveis a essa alta, informou a porta-voz do fundo, Caroline Atkinson, em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira.

"Estamos extremamente preocupados com o aumento do preço dos alimentos, por conta de seu impacto nos mais pobres e mais vulneráveis, particularmente em países subdesenvolvidos, mas não apenas neles", disse.

Além do aumento dos preços dos alimentos, Atkinson apontou o rápido aumento da inflação em economias emergentes.

Alguns países emergentes estão "chegando ao ponto de potencial sobreaquecimento e, portanto, os bancos centrais começaram, apropriadamente, a apertar sua política monetária", disse, citando o caso do Brasil, que subiu a taxa básica de juros na quarta-feira.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) subiu a taxa básica do país em 0,5 ponto percentual, de 1,25% para 11,75%, em uma tentativa de conter a inflação.

Questionada sobre como os governos deveriam mitigar o aumento dos preços dos alimentos, os quais as Nações Unidas indicaram terem atingido picos de alta, Atkinson enfatizou a importância de mecanismos "certeiros" para apoiar a população mais exposta ao risco.

"É importante que haja medidas de proteção para as pessoas mais vulneráveis, mais do que subsídios a produtos", disse.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Organização (FAO) afirmou nesta quinta-feira que seu índice de preços dos alimentos subiu em fevereiro para o maior nível desde que os preços começaram a ser monitorados, em 1990.

A FAO alertou que mais aumentos nos preços do petróleo, por conta da instabilidade política no mundo árabe, poderá levar os preços dos alimentos a patamares ainda mais altos.

Os comentários de Atkinson ocorrem depois de o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Triched, alertar nesta quinta-feira sobre o aumento da inflação na zona do euro e previu um aumento das taxas básicas de juros no mês que vem.

Para as economias avançadas, o aumento dos preços do petróleo representam um desafio, disse Atkinson, completando: "há uma incerteza tremenda".

Em resposta à questão sobre riscos inflacionários nos Estados Unidos, Atkinson citou os recentes esforços do Federal Reserve (Fed) para limitar os riscos de deflação, enquanto a economia luta para se recuperação da recessão.

"Atualmente, inflação não é uma preocupação para a economia americana", disse.