Notícias, pesquisas e novos dados econômicos, além das preocupações externas pautaram os negócios de renda fixa desta semana. Fontes do mercado disseram que notícias publicadas em um grande jornal revelando que o governo, em conversas internas, admite a possibilidade do Banco Central (BC) aumentar a Selic em 0,75 ponto, na próxima semana, tiveram impacto direto na curva de juros futuros.
Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho deste ano apontou taxa anual de 12,18% no fechamento de sexta-feira, contra 12,19% do anterior. O DI de janeiro de 2013 projetou juro de 12,78%, ante 12,80% do último ajuste.
As novas expectativas de inflação para 2011 e 2012 continuam mostrando revisões ascendente,foi o que revelou a estimativa do IPCA para este ano, avançando de 5,75% para 5,79%. Já para o próximo ano, a projeção passou dos 4,70%, para 4,78%. A inflação segue no foco das atenções dos investidores.
Para Celso de Campos Toledo Neto, diretor da área de macroeconomia da LCA Consultores, hoje está claro que o ciclo de aperto da política monetária foi interrompido precocemente no ano passado. O balanço de riscos computado a partir de um modelo padrão de determinação da inflação e das expectativas sugeria, na época, que a continuidade do ajuste fazia sentido. 'O governo pisou no acelerador quando a economia dispensava mais estímulos, perdendo o controle da inflação e das expectativas', ressalta.
Nesta semana cresceram as apostas de alta de 0,75 ponto percentual da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para o dia 1 e 2 de março. Atualmente, a taxa Selic está em 11,25% ao ano. A Pesquisa sobre Política Monetária divulgada na quinta-feira pelo Banco Central (BC) reforçou este cenário de um aperto monetário mais forte. Segundo a pesquisa, os analistas do mercado financeiro consultados consideram que é necessário elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto percentual (mediana das expectativas) para ter impacto sobre a inflação equivalente às medidas macroprudenciais, anunciadas no final de 2010.
Para André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, a dúvida que está nas mesas de operações é a seguinte: o BC vai ser mais real que o Rei, ou não? Em outras palavras; será que o BC vai ficar 'á frente da curva' e patrocinar um aperto mais forte da Selic no sentido de ancorar as expectativas do mercado, ou vai confiar que a realidade vai mostrar, aos poucos, que não é preciso tanta força agora uma vez que os dados de atividade estarão estacionando ou até mesmo em declínio?
Do ponto de vista dos economistas do banco Fibra, uma elevação de 0,75 pontos da Selic na próxima semana contribuiria para estancar o processo de deterioração das expectativas para a inflação de 2012, evitando um descolamento ainda maior das metas. O cenário mais provável, no entanto, aponta para uma elevação de 0,50 pontos, acompanhada de novos anúncios de medidas de caráter macroprudencial ao longo das próximas semanas.
Na agenda doméstica da semana, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostram que o Brasil gerou 152.091 empregos formais em janeiro. Foram admitidos 1,65 milhão e demitidos 1,49 milhão de trabalhadores. É o segundo melhor saldo da série histórica, que teve início em 1992. O melhor saldo para meses de janeiro foi em 2010, com a geração de 181.418 empregos formais.
Outro dado monitorado pelos agentes financeiros foi o relatório do BC revelando que o volume global de crédito do sistema financeiro teve alta de 0,5% em janeiro, para R$ 1,715 trilhão, o correspondente a 46,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo o relatório do BC, "a evolução moderada das operações de crédito do sistema financeiro, em janeiro, refletiu o impacto das medidas macroprudenciais implementadas em dezembro de 2010 no crédito a pessoas físicas, registrando-se retração nas concessões, simultaneamente com a expressiva elevação das taxas de juros".