Desembolsos do BNDES crescem 24% com capitalização da Petrobras

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$ 143,7 bilhões em 2010. A expansão foi de 5% em comparação ao ano anterior. Com a capitalização da Petrobras, que fez o montante subir para R$ 168,4 bilhões, o aumento do total de desembolsos no ano passado foi de 24%.

 

Os números foram divulgados hoje (24) pela instituição. O chefe do Departamento de Orçamento da Área de Planejamento do BNDES, Gabriel Visconti, disse que o crescimento tem a ver um maior acesso ao crédito promovido pelo BNDES, processo que busca atender as micro, pequenas e médias empresas (MPEs).

 

A participação das MPEs no desembolso total foi de 27% em 2010, contra 18% em 2009. Em termos de operações, o banco realizou 610 mil transações em 2010, com crescimento de 56% sobre 2009. As MPEs e pessoas físicas responderam por 93% do total de operações, ou seja, por 568 mil transações. Somente para as MPEs, foram destinados R$ 45,7 bilhões pelo BNDES no ano passado.

 

Segundo Visconti, grande parte do crescimento dos desembolsos se deveu ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI), lançado em julho de 2009 e que se estenderá até o mês de março, além do Cartão BNDES, que teve 320 mil operações, com acréscimo de 84% em relação a 2009.

 

Em termos de valores, o cartão teve desembolsos de R$ 4,3 bilhões, com aumento de 74%. A carteira de financiamentos do PSI fechou 2010 acima de R$ 120 bilhões, dos quais R$ 87 bilhões foram liberados.

 

Os setores de indústria e infraestrutura continuaram concentrando a maior parte dos desembolsos do BNDES (47% e 31%, respectivamente), enquanto o setor de serviços recebeu 16% dos recursos totais. “São os setores que mais demandam em termos de volume”. Visconti disse que a tendência este ano é que os desembolsos se mantenham maiores para os dois setores.

 

Para 2011, estima-se que os desembolsos atinjam a marca dos R$ 140 bilhões. De acordo com Visconti, a expectativa é que o mercado de capitais tenha um papel mais destacado nesse esforço de financiar o setor produtivo nacional.

 

“Na verdade, o que a gente espera é que a taxa de investimentos no país cresça. Mas que isso aconteça através de uma maior participação também dos entes privados. É interessante que não só o BNDES, mas também outras instituições possam ajudar como provedores de funding [recursos] de longo prazo para a economia”.