Altas recentes e cautela nos EUA puxam baixa

S O PAULO, 15 de setembro de 2010 - Apesar da divulgação de dados em linha com o esperado hoje na Europa, os principais índices acionários da região operam em leve baixa. As recentes altas, além da cautela dos investidores no aguardo pela divulgação de dados importantes nos Estados Unidos, não favorecem a continuação do movimento altista entre os mercados mundiais. Neste sentido, os índices futuros norte-americanos também apontam retração.

Logo mais, nos Estados Unidos, será divulgado o índice que mede a atividade industrial em Nova York, além do índice de produção industrial do país. "Há expectativa que a atividade industrial total apresente alta de apenas 0,2%, contra acréscimo de 1% um mês antes. Este número se confirmando, deve reforçar o sentimento de que a economia do país está bastante fraca e não responde aos estímulos como deveria", disse André Perfeito, economista da Gradual Corretora. E completou: "A agenda de hoje não favorece o mercado".

O economista ponderou que há expectativa positiva em relação à produção industrial de Nova York, mas que o indicador não deve ter força para impulsionar o mercado. Analistas estimam alta de 9% na atividade manufatureira da região, contra expansão de 7,10% no mês anterior.

Ele destacou, entretanto, que mesmo se confirmando o movimento negativo entre os principais mercados nesta quarta-feira, a semana já foi de ganhos significativos.

Na Ásia, as bolsas encerraram com tendência positiva, em um dia marcado pela intervenção do governo do Japão no mercado de divisas do país, freando a forte valorização do iene.

A medida ocasionou uma subida momentânea do dólar frente ao iene, estimulando o movimento de exportações. Assim, as ações de grandes exportadoras como Sony, Honda e Toyota valorizaram expressivamente.

A notícia ruim na região veio da China, com a expectativa, por parte do mercado, de que o governo elabore medidas que reduzam o preço dos imóveis, puxando para baixo os índices chineses. Segundo o governo do país, as medidas seriam necessárias em função da situação de pressão pela qual atravessam as principais imobiliárias e incorporadoras chinesas.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 subiu 2,34%, para 9.516,56 pontos, ao mesmo tempo que em Seul, o índice Kospi ganhou 0,48%, para 1.823,88 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,14%, para 21.725,64 pontos. Contrariando o movimento da região, a bolsa da China fechou com perdas, com o índice Xangai Composto recuando 1,34%, aos 2.652,50 pontos.

Internamente, a volatilidade deve permanecer. Sem indicadores de peso na agenda, o Ibovespa deve acompanhar o mercado externo, também impactado pelo movimento das ações da Petrobras.

(Carina Urbanin - Agência IN)