Segundo duas consultas divulgadas nesta quarta-feira, 62% dos franceses disseram querer que Sarkozy volte a se apresentar nas presidenciais de 2012, quando seria, de qualquer forma, derrotado pela socialista Martine Aubry ou pelo também socialista Dominique Strauss-Kahn, atual diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Para o cientista político Philippe Braud, o "estilo" do presidente "exaspera extraordinariamente" seus compatriotas, enquanto outro especialista, Stéphane Rozes, destaca "a paradoxal" situação da França, "que resiste relativamente bem à crise econômica", mas cujo presidente enfrenta uma "crise moral".
Segundo Frédéric Dabi, do instituto de pesquisas IFOP, a opinião pública considera que o governo impulsiona uma "política injusta que favorece os ricos".
Neste contexto, as declarações relativas às causas da "insegurança" na França parecem ter prejudicado o presidente francês, ao invés de lhe dar maior popularidade.
Os supostos vínculos estabelecidos pelo presidente entre "insegurança" e "imigração" suscitaram críticas na França, mas também no exterior, em instâncias como a ONU e o Vaticano.
Por causa disto, a França enfrenta desde a semana passada uma onda de críticas internacionais pelas maciças repatriações de ciganos. Porém, o governo francês confirmou esta quarta-feira que continuará expulsando membros desta minoria para seus países de origem, no leste europeu.
No fim de julho, Sarkozy estimou que os distúrbios de rua seguidos à morte de um jovem por disparos de um policial mostravam "os problemas trazidos pela conduta de alguns ciganos".
Pouco depois, após uma reunião polêmica dedicada aos ciganos, da qual participaram altas autoridades francesas, o governo afirmou que a metade dos acampamentos ilegais na França seriam desmantelados no prazo de três meses.
Quase ao mesmo tempo, Sarkozy anunciou uma "verdadeira guerra" contra a "criminalidade" e afirmou que, na França, a imigração "não está suficientemente regulamentada há 50 anos" e que o modelo de integração francês foi um "fracasso".
Em meio às críticas por declarações deste tipo, o governo francês terá que enfrentar um dia de paralisações e protestos no próximo 7 de setembro, dia em que se inicia no Parlamento o exame do polêmico projeto de reforma das aposentadorias.
(Redação com AFP - Agência IN)