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BUENOS AIRES - O bloqueio de estradas realizado por caminhoneiros que protestam contra o impasse entre agricultores e governo na Argentina começa a restringir o abastecimento de alimentos nas principais cidades.
Os caminhoneiros exigem que o governo e produtores, que se enfrentam há quase três meses devido a uma alta de taxas de exportações de grãos, cheguem logo a um acordo, uma vez que os protestos no campo também afetam a atividade da categoria.
Os agricultores realizam a terceira paralisação das vendas de produtos agrícolas em menos de três meses, o que poderia afetar as exportações de grãos, farelo e óleo da Argentina, um dos maiores fornecedores mundiais desses produtos.
O prolongado protesto dos agricultores contra o imposto já prejudicou vários setores da economia, incluindo os transportadores que bloqueiam as estradas do interior do país.
- A situação para os transportadores está complicada. O governo deve prestar mais atenção. Isso é consequência de não ter havido uma solução para o problema agropecuário - disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina.
A atual paralisação dos produtores consiste apenas na suspensão das vendas de grãos, mas o protesto dos caminhoneiros está impedindo o transporte de qualquer alimento pelas rodovias argentinas e nos próximos dias poderia deixar as cidades sem alguns produtos básicos, como o leite.
No Mercado Central de Buenos Aires, que concentra a maior parte das frutas e verduras que chegam à cidade, a chegada de produtos começou a diminuir nesta quinta-feira.
- Há uma pequena diminuição. Está entrando 70% da mercadoria - disse uma fonte do mercado que preferiu não se identificar.
Ao mesmo tempo em que a TV argentina mostrava centenas de caminhões estacionados nas estradas, representantes do setor afirmavam que um conflito mais prolongado resultaria na perda de milhões de litros de leite.
- Esta paralisação na estrada bloqueia todo o desenvolvimento da atividade econômica e coloca em risco, novamente, o abastecimento e pode causar aumento de preços. Acaba sendo uma paralisação contra o povo argentino - afirmou o ministro do Interior, Florencio Randazzo, à Radio Mitre.
Em março, uma paralisação de três semanas resultou em desabastecimento de alguns produtos básicos nas grandes cidades.
Embora o setor agropecuário tenha anunciado que a paralisação vai terminar no domingo à meia-noite, parece não haver solução à vista, pois a cada vez que as partes se reúnem fica mais gritante a intransigência dos negociadores.