O economista-chefe a Concórdia Corretora de Valores, Elson Teles avalia que com a piora observada no balanço de riscos para a trajetória futura da inflação, um ajuste moderado no juro deverá contribuir para reforçar a ancoragem das expectativas e, ao mesmo tempo, reduzir o expressivo descompasso entre o ritmo de crescimento da demanda e da oferta agregadas.
No câmbio, esta notícia reforça ainda mais os ingressos de dólares em direção ao País, atraídos pelos ganhos com o diferencial entre a taxa doméstica e externa. Instantes atrás, o dólar perdia 0,36%, cotado a R$ 1,656 na compra e R$ 1,658 na venda - no menor nível em quase nove anos. Os índices futuros das bolsas de valores de Nova York apontam para um dia negativo.
A diretora de câmbio da AGK Corretora, Mirian Tavares avalia que se o cenário externo não piorar muito e os preços das commodities continuarem em patamares elevados, o dólar pode testar R$ 1,65 nesta quinta-feira e até romper este patamar novamente nos próximos dias. No entanto, a profissional ressalta que se as tensões nos mercados globais se elevarem muito, o dólar pode oscilar entre os R$ 1,67 e R$ 1,70.
No exterior, os balanços corporativos seguem no foco dos investidores. O banco Merril Lynch anunciou prejuízo líquido de US$ 1,96 bilhão no primeiro trimestre, ou US$ 2,19 por ação, abaixo do projetado. A Pfizer reportou lucro líquido de US$ 2,78 bilhões (ou US$ 0,41 por ação), no primeiro trimestre deste ano, volume 18% menor que o mesmo período do ano passado. Já o lucro da Nokia, líder mundial em telefonia celular, cresceu 25% no primeiro trimestre. O dia ainda reserva Google.
Sem indicadores no front doméstico, as atenções também se voltam para os dados da economia norte-americana. Foi divulgado que o pedidos semanais por seguro-desemprego avançaram em 17 mil, passando de 355 mil para 372 mil. Ainda será apresentado o índice de indicadores antecedentes e a pesquisa regional do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, da Filadélfia.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)