Fraqueza externa limita oscilações do dólar

SÃO PAULO, 17 de abril de 2008 - Influenciada pela fraqueza dos mercados internacionais, a palavra "cautela" ganhou força nas mesas de operações hoje, dia seguinte à elevação da Selic. Apesar do ajuste na taxa básica de juro atrair ainda mais capital especulativo para o País, o que é favorável à trajetória de desvalorização do dólar, o clima externo limita os movimentos. No fim da manhã, a divisa estrangeira se estabilizaou a R$ 1,664 na venda, depois de ter caído 0,48% na mínima do dia.

Sob análise os balanços decepcionantes da Merril Lynch e da Pfizer no primeiro trimestre. O banco de investimento norte-americano anunciou prejuízo líquido de US$ 1,96 bilhão, ou US$ 2,19 por ação. Já o lucro da farmacêutica recuou 18%, para 2,78 bilhões. Também motiva o conservadorismo o relatório do governo norte-americano mostrando aumento no número de pedidos semanais por seguro-desemprego e queda no nível de atividade industrial na região da Filadélfia em abril. Em Nova York, os investidores realizam de lucro e os índices futuros operam em baixa, com Dow Jones cedendo 0,32% e Nasdaq 0,86%.

A seqüência de baixa do dólar nos últimos dias era um limitador para desvalorizações adicionais. Em doze sessões, a divisa norte-americana subiu apenas em uma, acumulando perdas de 5,08%.

Apesar da resistência, o analista da Corretora Socopa, Paulo Fujisaki destaca que no curto e médio prazo, prevalece a tendência de dólar fraco. "O aumento do juro deixou ainda mais evidente a trajetória de queda da moeda, por distanciar o diferencial entre as taxas praticadas aqui e no exterior e elevar a margem com arbitragem", disse, explicando que a contração do superávit comercial, devido à apreciação do real, deve ser compensado pelo fluxo financeiro. ´Agora se vier mesmo o grau de investimento, como todos esperam, aí ninguém segura este dólar", finaliza.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)