Alta da Selic eleva taxa ao consumidor para 132,39%

SÃO PAULO, 17 de abril de 2008 - A elevação da taxa básica de juro (Selic) de 11,25% para 11,75% ao ano terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito, avalia o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Segundo ele, este fato ocorre uma vez que existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas cobradas ao consumidor que na média da pessoa física atingem 132,39% ao ano provocando uma variação de mais de 1.000% entre as duas pontas. Em algumas financeiras em linhas de empréstimo pessoal estas taxas chegam a atingir mais de 1.500% ao ano.

De acordo com Oliveira, o aumento de 0,5 ponto percentual anunciado na noite passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), acima da expectativa de uma parcela majoritária do mercado que projetava alta de 0,25 pp, vai permitir que os juros cobrados no comércio avancem de 6,03% para 6,05% ao mês e de 101,90% para 102,36% ao ano. Já as despesas com cartão de crédito vão subir 10,39% no mês e 227,46% no ano (antes era 10,37% e 226,75%, respectivamente). O custo do cheque especial saltará de 7,73% por mês para 7,75%; e de 144,37% para 144,91% no ano. A taxa do empréstimo pessoal em bancos passa de 5,32% para 5,34% mês e de 86,69% para 86,26% ano; a mesma modalidade em financeiras vai custar 11,22% e 258,26%, face cobrança anterior de 11,20% e 257,48%, respectivamente.

A simulação também aponta que as empresas vão pagar mais para conseguir capital de giro: de 3,92% para 3,94% ao mês; e de 59% para 58,63% ao ano. O desconto de duplicatas subiu de 3,48% para 3,50% ao mês; e de 51,11% para 50,76%. Já o desconto de cheques avança para 3,78% e 56,09%, face taxas 3,76% e 55,73% cobradas respectivamente ao mês e ano.

Esta elevação da Selic é a primeira desde junho de 2005, quando a Selic estava em 19,75%. O ajuste ocorreu após o BC sinalizar preocupação com a inflação, por conta da demanda aquecida, e com a turbulência no mercado internacional.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)