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WASHINGTON - O recente ajuste do poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI), que dá um pouco mais de voz a países emergentes, vai melhorar a estatura do organismo entre seus membros, afirmou nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
- Com essa modificação, os países emergentes e em desenvolvimento ganharão peso maior no Fundo - disse Mantega a jornalistas durante a reunião de primavera do FMI, enfatizando que se trata de um 'passo importante'.
O ministrou destacou que são os países emergentes que estão sustentando a economia global neste momento, já que as nações ricas estão sofrendo mais as consequências da crise de hipotecas de alto risco dos Estados Unidos (subprime).
A reforma nas cotas foi aprovada pelo conselho do FMI e deve ser votada até o final do mês. A mudança garante uma transferência de pode de voto de países industrializados para emergentes e em desenvolvimento de 2,7 pontos percentuais.
- O Brasil foi um dos beneficiados com o aumento de 40 por cento na cota efetiva. O poder de voto do país passa dos atuais 1,4 por cento para 1,7 por cento - lembrou o ministro em nota.
Países emergentes como Brasil, China e Índia também foram beneficiados pela adoção de uma nova fórmula que, entre outras coisas, aumenta o peso dado ao PIB na hora de definir as cotas para 50 por cento.
- Hoje são os países emergentes que estão dando sustentabilidade à economia mundial - insistiu.
MAIS EFICIÊNCIA
Mantega indicou que a reforma, que será revista a cada cinco anos, precisa ir adiante para 'consolidar e restabelecer' a confiança do FMI, de modo que possa responder de forma mais imediata em momentos de instabilidade financeira.
Ele ponderou que esta ainda não é a reforma dos 'sonhos' dos países emergentes.
Segundo o ministro, o Fundo esteve muito preocupado com sua reestruturação internacional e com os problemas de financiamento que ficou 'atrasado' em relação à crise internacional.
- É importante consolidar esse passo de forma a restabelecer a confiança no Fundo - para que ele esteja habilitado a fazer um trabalho mais 'efetivo' num momento de crise internacional.
Para Mantega, é necessária mais regulação para monitorar os instrumentos financeiros de modo a ter mais transparência e avaliação de risco, e essas mudanças não podem ser tomadas apenas pelos Estados Unidos. Elas não devem, entretanto, sufocar o crédito.
- O Fundo podera dar uma contribuição importante no sentido de criar essa regulamentação.
O Brasil foi um dos principais críticos da estrutura do FMI nos últimos anos.
O ministro disse ainda que o FMI está certo em recomendar políticas anticíclicas para lidar com as turbulências.
- O Fundo Monetário ressuscitou Lord John Keynes - disse.
O Brasil também busca ser um protagonista no G7, o grupo dos sete países mais industrializados e Rússia.
- O Brasil se recusa a participar desse fórum só para tomar cafezinho.