Lula diz que líderes latinos ainda são 'cegos' para o petróleo

Portal Terra

RECIFE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira, em Recife (PE), os países da América do Sul por não explorarem todo o potencial energético. Ele e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, fizeram um pronunciamento conjunto após um acordo de associação entre a Petrobras e a Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA).

- Se unirmos todos os países da América Latina, com todos os rios, todo potencial de petróleo, há uma imensidão de oportunidades e um potencial extraordinário - disse Lula. - E quem está explorando isso? São empresas americanas, britânicas, holandesas. Empresas de todo lugar do mundo, menos nós. É como se fossemos governantes cegos e surdos, que falássemos línguas diferentes e não entendíamos - completou.

Lula e Chávez assinaram a parceria entre Petrobras e PDVSA na refinaria de petróleo Abreu e Lima, em Pernambuco.

O presidente brasileiro ainda agradeceu a Chávez por fazer com que as estatais de petróleo dos dois países deixassem de ser "misses" para se tornarem empresas.

- Obrigado por contribuir para que a PDVSA e a Petrobras deixem de ser duas 'misses' competentes e vaidosas e se tornem duas empresas que não pensam apenas em sua rentabilidade, mas sim no que podem fazer para ajudar o continente sul-americano - ressaltou.

Lula destacou o potencial energético do continente, dizendo que os sul-americanos não exploram tudo que podem. - Não existe lugar nenhum do mundo que tenha o potencial energético que tem a América do Sul, se levarmos em conta o potencial hídrico que podem produzir hidrelétricas. Em um estudo, no Brasil, ocupamos apenas um terço do potencial dos rios que temos para produzir energia elétrica, Ainda temos mais de 250 mil megawatts que podemos produzir de energia hídrica - lembrou.

Chávez, por sua vez, agradeceu a Lula por sua disposição em apoiar a Venezuela. - Éramos um país agrícola até encontrarmos o petróleo. Vivíamos em um modelo colonial petroleiro. Esse acordo (entre Petrobras e PDVSA) tem uma grande importância geopolítica, geoeconômica e econômica. Temos no território dos Estados Unidos sete refinarias, milhares de trabalhadores. Eles pagam impostos e a maioria dos recursos fica lá, não retorna à Venezuela - disse.

Essas refinarias no território americano, segundo Chávez, têm condições de refinar 2 milhões de barris diários de petróleo. - Em vez de seguir trazendo plataformas de Noruega, EUA, vamos fabricá-las aqui, temos a mão-de-obra, temos a tecnologia - completou Chávez.