Grupo Salinas investirá R$1,5 bi na aumento de crédito do Banco Azteca

Etiene Ramos, JB Online

RIO - Avenida Beberibe, 1979, bairro de Água Fria. Esse é o endereço da primeira loja Elektra no Brasil, inaugurada na última quarta-feira no Recife pelo empresário mexicano Ricardo Salinas, ao lado do presidente Lula, da ministra da Casa Civil, Dilma Rousself, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos e outros políticos da região.

A loja, de mil metros quadrados, venderá móveis, eletrodomésticos e linha branca e marca o início de uma ousada empreitada do grupo Salinas de expandir o crédito do Banco Azteca junto à população de baixa renda no Brasil, inaugurando também no Recife, no bairro de Boa Viagem, sua primeira agência brasileira e correspondentes em cada uma das lojas Elektra. A próxima será aberta em 15 dias, na vizinha cidade de Olinda.

A presença política representa o empenho do atual governo no desenlace do projeto que ficou três anos aguardando autorização para funcionar.

O projeto de Ricardo Salinas é abrir ainda este ano entre 20 e 25 lojas em Pernambuco onde está instalada a Central de Distribuição do grupo.

A partir de 2009, quer chegar aos estados vizinhos e, em seis anos, ter 1.500 pontos de venda no Brasil - um investimento de US$ 1,5 bilhão.

Presente na Guatemala, El Salvador, Honduras, Costa Rica Panamá e Peru, o grupo Elektra, com braços financeiro e verejista, possui 1.900 pontos de venda na América Latina.

Em 2007, registrou lucro líquido de US$ 596 milhões e receita de US$ 3,5 bilhões.

O grupo Salinas, que engloba o Elektra, faturou mais de US$ 5 bilhões, incluindo negócios de telefonia e mídia.

Conquista do Mercado

"Elektra. Brasil. Esse mercado é nosso". O grito de guerra na inauguração mostra a vontade do grupo de ganhar o consumidor brasileiro.

- Nosso conceito é colocarmos uma loja numa zona popular, onde há necessidade de geladeiras, máquinas de lavar ou computadores, onde existem pessoas querendo crédito - explica Ricardo Salinas.

A conquista do cliente está a cargo de uma equipe que visitará as casas a fim de conhecer as pessoas e estabelecer uma relação de confiança.

O retorno vem em forma de depósitos da confiança dos clientes no Azteca que implantará no Brasil os "guardaditos", uma modalidade de pleno sucesso no México onde as pessoas abrem uma conta-corrente a partir de R$ 5,00 e podem depositar ou sacar seu dinheiro com cartão magnético, sem pagar tarifas, mas também sem rentabilidade.

- No México começamos com uma meta de US$ 50 milhões desse tipo de poupança.

Disseram que não chegaríamos à metade. Hoje temos US$ 2,5 milhões nessa carteira e mais de sete milhões de contas abertas - revelou Salinas.

A média mexicana de abertura de contas é equivalente a R$ 200,00 e de investimento fica em torno de R$ 3 mil.

Por semana

Água Fria é um dos bairros mais populares da Zona Norte do Recife. A chegada da Elektra e o crédito do Azteca traz também uma novidade que promete repetir os bons resultados do México: os pagamentos semanais.

Os preços dos eletrodomésticos são fixados em parcelas por semana, apontando os juros mensais e ao ano. O prazo médio é de 52 semanas e pode chegar a 65 semanas.

- A resposta é boníssima. Particularmente para os trabalhadores informais, que ganham por semana e preferem pagar pouquinho, mas seguidamente. É mais fácil para a vida deles - diz o vice-presidente do Conselho de Admnistração do Banco Azteca, Luiz Niño de Rivera.