Quadro externo adiciona volatilidade ao dólar

SÃO PAULO, 26 de março de 2008 - O movimento de gangorra, sustentado pelo temor de recessão nos Estados Unidos, continua marcando o dia-a-dia dos mercados. Nesta quarta, o dólar abriu em alta, subiu à máxima de R$ 1,744, recuou à mínima de R$ 1,726 e fechou a sessão vendido a R$ 1,727, com desvalorização de 0,23%.

"No curto prazo, não há nada que consiga reduzir a volatilidade e os mercados tendem a continuar instáveis", avalia Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Rating. "E hoje foi mais um dia de ajustes, dentro de um cenário de incertezas", diz.

Os investidores reagiram à retração nas vendas de imóveis novos nos EUA, para o menor nível em 13 anos em fevereiro e ao recuo de 1,7% nos pedidos por bens duráveis neste mesmo período. "Mas como os números já vêm se deteriorando ao longo do tempo, apenas confirmaram a debilidade da economia americana", lembrou.

O dia já começou negativo, diante do noticiário pouco animador em relação ao crédito e aos bancos. A Oppenheimer, empresa de serviços financeiros triplicou suas projeções de prejuízo para o Citigroup no primeiro trimestre deste ano, além de reduzir as projeções para todo o setor financeiro no período. Além disso, o banco alemão Deutsche Bank alertou que talvez não alcance sua meta de lucro, caso as condições globais dos mercados não melhorem.

O fato é que os últimos meses têm sido bastante agitados para os mercados mundiais e, infelizmente, estas incertezas acerca da crise, que teve seu início com o subprime, ainda pairam pelo ar. Com isso, o mercado continua monitorando cada indicador, a fim de se adiantar aos próximos passos do Federal Reserve.

Para Sidney Moura Nehme, economista da NGO corretora, é notório que o sistema financeiro tem mais recursos neste momento do que quando iniciada a crise, já que o Fed vem fazendo substanciais aportes para combater o problema do empoçamento do crédito e da liquidez, buscando blindar a economia para que a recessão não se torne efetiva. "Essas intervenções contínuas estão dando ao mercado a convicção de que o Fed não permitirá que ocorram rupturas e isto, dentro da crise, acaba por amenizar os temores", diz.

Na reunião de abril, os analistas esperam por novos cortes. "Haverá mais cortes, mas não tão grandes, já que os bancos apresentaram perdas, mas não tão ruins. O Fed já cortou muito desde setembro, e com reduções adicionais pode acelerar a inflação, perdendo a margem de manobra", avaliou o analista da Austin.

Diante de tantas notícias, as atuações do BC passaram desapercebidas. A autoridade monetária comprou cerca de US$ 70 milhões no mercado à vista e rolou mais US$ 2,046 bilhões em contratos de swap cambial reverso com vencimento na virada do mês.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)