Saída de estrangeiros faz dólar subir

SÃO PAULO, 20 de março de 2008 - O dólar subia frente a seus principais pares, reflexo dos recursos vindos de divisas de países fortemente dependentes de exportações de commodities. Estes contratos seguem pressionados, mas tentam sair das mínimas.

"O corte de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros dos EUA, quando o mercado esperava por um corte maior, e a sinalização de que o fim do atual ciclo de afrouxamento monetário está se aproximando do fim, por conta das pressões inflacionárias, mantém a aversão ao risco", comentou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

A questão agora é saber se o movimento é pontual, ou a menor demanda pelas mantérias-primas prevalecerá, fazendo com que os preços respondam aos fundamentos. "Aqui, a resposta a esta questão é muito importante, já que uma parte dos superávits comerciais do País e do desempenho positivo da Bovespa se deve à exportação desses produtos básicos e ao impacto positivo para as empresas do setor, especialmente Petrobras e Vale, que têm um peso significativo na bolsa paulista", concluiu Miriam.

No fim da manhã, a divisa estrangeira subiu 1,10%, vendida a R$ 1,74, influenciado pela saída de recursos de estrangeiros com a queda nos preços das commodities. As remessas, para cobrir prejuízos no exterior, deve compensar a expressiva entrada de dólares visto nas duas primeiras semanas do mês. Segundo o Banco Central, ingressou no País US$ 9,76 bilhões até o último dia 14, principalmente devido a operações financeiras.

A crise global de crédito fez mais uma vítima. O fundo de hedge Endeavour Capital, com carteira de US$ 3 bilhões, perdeu mais de um quarto do seu valor devido a apostas alavancadas no mercado de bônus japonês.

Entre os indicadores, os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiram fortemente em 22 mil na semana passada, sugerindo fraqueza no relatório de emprego de março.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)