Dólar sobe mais de 1% em dia volátil

SÃO PAULO, 19 de março de 2008 - O dólar apresentou forte volatilidade na sessão, seguindo a tendência verificada em Wall Street, com os investidores renovando os temores com a solvência e liquidez dos bancos. No final do dia o dólar subiu 1,65%, vendido a R$ 1,721.

A Carlyle Capital Corporation anunciou o término de suas operações após não conseguir honrar dívidas. O fato, apesar de já esperado pelo mercado, colaborou com o aumento das preocupações acerca de mais baixas contábeis atreladas aos ativos do setor subprime. Há rumores de que o banco inglês de hipotecas HBOS e o norte-americano Lehman Brother também enfrentam problemas de liquidez. No último domingo, o Bear Stearns foi comprado pelo JP Morgan a um preço irrisório.

Artur Carvalho, economista-chefe da Ativa Corretora avalia que a rápida deterioração do quadro norte-americano e o grau de incertezas com o destino da economia aumentaram a aversão ao risco. "Enquanto houver aperto de liquidez é evidente que os investidores evitarão posições", comentou.

Uma prova disso é a corrida pelos títulos do Tesouro americano - chamado treasuries. As taxas T-notes de dez anos, referência, passou de 3,457%, para 3,360% e os T-Bond de 30 anos estava em 4,240%, contra 4,331% da véspera. Os índices acionários de Nova York perdiam mais de 1%.

O especialista destaca que a tendência de apreciação do real continua frente ao dólar, na medida em que a possível alta de juros se concretizar por aqui e a taxa americana seguir em trajetória de queda. Ontem, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) reduziu o custo do dinheiro em 0,75 ponto percentual, para 2,25% e a taxa de redesconto em mais 0,75 ponto, para 2,5%.

Dados preliminares do Banco Central mostram que o fluxo de recursos estrangeiro no Brasil voltou com força total. Em março, até a última sexta-feira (14), o fluxo somou US$ 9,760 bilhões, influenciado, principalmente, pela conta financeira (US$ 7,133 bilhões no período).

Também mexeu com os mercados a notícia de que as empresas norte-americanas do refinanciamento hipotecário, Freddie Mac e Fannie Mae, obtiveram uma flexibilização de suas regras de funcionamento.

Além disso, um dia depois do Goldman Sachs e do Lehman Brothers reportar resultados melhores do que o previsto, o Morgan Stanley divulga seu desempenho. A instituição teve lucro líquido de US$ 1,551 bilhão no primeiro trimestre fiscal - número 42% inferior ao registrado no mesmo período de 2007, mas, ainda assim, acima das expectativas de analistas.

Mantendo a rotina, o BC comprou dólares para reforçar as reservas internacionais, atualmente em US$ 195,746 bilhões. A taxa fixada foi de R$ 1,7135.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)