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Dólar reage à crise externa e fecha acima de R$ 1,70

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REUTERS

SÃO PAULO - O dólar reagiu com mais força à crise internacional nesta segunda-feira, fechando acima de R$ 1,70 pela primeira vez em duas semanas.

A moeda subiu 1,37%, para R$ 1,707. Em março, o dólar agora acumula valorização de 0,89%.

O gatilho para a piora foi o aperto nas condições de crédito interbancário, que aumentou a preocupação sobre a saúde das instituições financeiras e forçou o Federal Reserve a injetar capital adicional no mercado na sexta-feira.

O agravamento da tensão coincidiu com a divulgação, nos últimos dias, de dados muito piores do que o esperado sobre a economia dos Estados Unidos.

Nesse cenário, os mercados tiveram uma segunda-feira de nervosismo, com queda acentuada das bolsas em Nova York em meio a especulações sobre problemas de liquidez em um dos maiores bancos de investimento de Wall Street, o Bear Stearns.

Os rumores foram classificados como "totalmente ridículos" por um executivo do banco.

- A situação norte-americana inspira mais cuidados do que estava aparentando. Os índices de inflação continuam altos e o nível de emprego está diminuindo de forma mais acelerada do que se previa, abrindo as portas para uma recessão - disse Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros.

- Dentro desse cenário ainda há a condição de inadimplência no setor imobiliário - acrescentou.

O agravamento da tensão global já se refletiu no comportamento dos estrangeiros no mercado futuro de câmbio.

Eles carregavam quase US$ 7 bilhões em posições vendidas na moeda norte-americana no início do mês, mas reduziram essa exposição para menos de US$ 3 bilhões na sexta-feira, segundo dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros.

A posição vendida em dólar é uma aposta na queda da moeda. Essa redução demonstra que há menos certeza quanto à desvalorização do dólar no curto prazo, principalmente depois de já ter registrado seguidas baixas no final de fevereiro, quando o dólar chegou a ser cotado em níveis que não eram vistos desde maio de 1999.

No final da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado. A autoridade monetária definiu taxa de corte a R$ 1,7070 e aceitou, segundo operadores, ao menos uma das propostas divulgadas.