Em pronunciamento na Flórida, Bernanke pediu uma ação "vigorosa" para impedir novos despejos de mutuários, incitando os bancos a flexibilizarem as condições de créditos concedidos à famílias vítimas do aumento das taxas de juros. Ele alertou ainda que as inadimplências e as execuções hipotecárias deverão se elevar, e que se devem esperar mais quedas nos preços das moradias.
Para Reginaldo Galhardo, gerente operacional de câmbio da Treviso Corretora, além das repercussões negativas ao discurso, as compras do BC brasileiro pela manhã, enxugando a liquidez, fomentou a alta do dólar. A instituição comprou cerca de US$ 70 milhões para reforçar as reservas, hoje em US$ 192,847 bilhões.
"O mercado não viu com bons olhos as declarações e as tesourarias que tinham vendido pela manhã para o BC, pelas circunstâncias, tiveram que entrar comprando para evitar possíveis prejuízos", disse.
No front externo, além de Bernanke, notícias corporativas levaram os principais índices de Wall Street a registrarem desvalorização. A Intel anunciou revisão da sua previsão de margem bruta de 56% para 54% no primeiro trimestre deste ano. Já o banco de investimentos Merrill Lynch rebaixou a previsão de lucro para o Citigroup em função de perdas ligadas ao mercado de crédito hipotecário de alto risco (subprime).
A cautela antes da reunião da Opep, amanhã, em Viena, também contribuiu com o clima mais tenso. O presidente dos EUA, George W. Bush defendeu nesta terça o aumento da produção de petróleo pelos países exportadores, mas o cartel deve manter inalterado a sua meta atual de produção de 29,67 milhões de barris por dia. Em Nova York, instantes atrás, o barril da commodity saía a US$ 99,33.
Apesar da alta, Galhardo pondera que o dólar deve continuar caminhando para sucessivas mínimas ante seus principais pares. No Brasil, a entrada de capital externo em busca dos altos juros pagos em reais já faz com que o dólar recue mais de 5% no ano.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)