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RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que o Brasil deu "seu segundo grito da independência" ao se tornar credor internacional. Na semana passada, o Banco Central anunciou que o país se tornara pela primeira vez na história credor externo, e na segunda-feira divulgou que os ativos do país no exterior superaram os passivos em 7 bilhões de dólares.
Em discurso na inauguração de uma fábrica de pneus da Michelin, na zona oeste do Rio, Lula destacou a conquista e o trabalho do governo para chegar ao fato inédito.
- Preparamos a casa para o segundo grito da independência - disse Lula. - O primeiro passo foi dado com o aperto fiscal e monetário de 2003 e o segundo passo foi o pagamento da dívida de 15,9 bilhões de dólares com o FMI.
Lula considera que o Brasil ganha credibilidade no mundo financeiro internacional, endossando a avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a mudança de patamar deixa o país mais próximo do grau de investimento.
- Hoje, com muita humildade, podemos transitar no mundo de cabeça em pé, mas não de nariz em pé. Não queremos ser maior ou menor que ninguém, queremos ser respeitados e decidir o que queremos e quando queremos - disse Lula, acrescentando que o país tem muitos palpiteiros e que 'os analistas econômicos quebraram a cara nos últimos anos.
O presidente ressaltou que a condição econômica do Brasil permite ao país enfrentar sem sobressaltos a crise dos Estados Unidos. Lula voltou a condenar a crise como ambição de especuladores.
- A crise americana foi de especulação e do sistema financeiro que tentou ganhar dinheiro fácil. Os bancos achavam que poderiam especular com títulos e quebraram a cara. Quantas vezes o Citibank dizia que sabia o que era bom ou ruim para o Brasil e tomou na cara 10 bilhões de dólares - afirmou, referindo-se ao maior prejuízo da história do banco norte-americano, reportado em meados de janeiro.
- Fizemos como a formiguinha, enquanto alguns cantarolavam nós comprávamos dólar para enfrentar esta e outras crises - disse Lula.