Diante de um cenário tanto interno como externo cheio de preocupações, a volatilidade continua prevalecendo. Nos EUA, o efeito da crise (subprime) ainda faz vítimas, desde vez, foi a maior seguradora de bônus, a MBIA, que anunciou prejuízo de US$ 2,3 bilhões no quarto trimestre de 2007 - o maior da sua história. Por isso, voltam às especulações em torno do socorro da Casa Branca a esse tipo de empresa.
Na véspera, o Fed pôs fim à grande expectativa dos investidores com mais uma redução na taxa básica de juro daquele país, de 0,50 ponto percentual, fixando a taxa em 3% ao ano. No entanto, analistas começam a se questionar até quando essas medidas poderão conter uma recessão na economia norte-americana.
Já o conselheiro econômico da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Istvan Kasznar, comenta em nota que a redução dos juros nos EUA representa a fuga da recessão e a elevação do consumo doméstico. "O que é importante ressaltar é que, mais uma vez, o crédito vai salvar a América. Essa política de crédito generosa aumenta consigo a demanda, o emprego, a renda e a felicidade geral das pessoas".
No mercado doméstico, as atenções estiveram voltadas para a leitura da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que revelou com muita clareza a possibilidade de aumento na taxa Selic, fixada em 11,25% ao ano, no decorrer deste ano. O documento avalia que a prudência passa a ter papel ainda mais importante no processo, diante dos sinais de aquecimento da economia e da elevação das expectativas de inflação.
O presidente do Sindicato das Financeiras dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (Secif), José Arthur Assunção, disse que projeta a elevação dos juros básicos brasileiros a partir do segundo semestre de 2008, caso a inflação não der sinais de arrefecimento.
Assunção afirma que a aceleração da inflação foi determinante para a manutenção da Selic: "O IPCA, que fechou 2007 praticamente no centro da meta de inflação, a 4,46%, obrigou o Copom a manter a Selic no atual patamar. Se houver persistência na elevação do indicador, no entanto, ele terá que rever a política monetária e torná-la mais restritiva a partir do segundo semestre. Não vejo qualquer possibilidade de corte na taxa esse ano".
(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)