Resultado de um acordo feito pelas próprias empresas, este calendário define quando as grandes unidades do setor devem entrar em processo de manutenção. ´Por conta da falta de mão-de-obra especializada, as empresas não podem parar a produção na mesma hora. O resultado é que cada fabricante suspende suas linhas sempre no mesmo período do ano´, explica o diretor de Finanças da Votorantim Celulose e Papel (VCP), Valdir Roque.
Apesar de já ser uma prática comum, esta obrigação de respeitar um calendário do setor reduz a competitividade das empresas. Em outros setores, como o petroquímico, as empresas recorrem a análises de mercado para antecipar ou adiar suas paradas programadas, de forma a garantir a plena capacidade em um período onde a demanda tende a estar aquecida.
E este cenário tende a ficar ainda mais preocupante nos próximos anos, com a expansão do setor de papel e celulose. Apenas no segundo semestre de 2007, a Klabin colocou em operação a ampliação da unidade de Telêmaco Borba (PR), consolidando-a como a maior fábrica de papéis do Brasil, e a Suzano Papel e Celulose inaugurou a segunda linha de celulose em sua planta de Mucuri (BA), criando a maior linha única de produção de celulose do mundo.
Para os próximos anos está previsto o início das operações de outras grandes plantas, como as planejadas pela VCP em Três Lagoas (MS), em 2009, e em Pelotas (RS), em 2011. Unidades como essas, além das novas unidades da Aracruz, Stora Enso e Ceniba terão capacidade de escala mundial e exigirão uma estratégia própria para suas paradas programadas.
Apesar disso, o gerente geral da fábrica de Luiz Antônio da International Paper (IP), Rildo Martini, não vê a escassez de mão-de-obra como algo preocupante ao setor. ´Acredito que os executivos também estejam se preparando para este aumento de demanda e não teremos problemas com falta de mão-de-obra especializada´, afirma. Atualmente, fazem parte do calendário único do setor Aracruz, Cenibra, IP, Klabin, Norske Skog, Suzano e VCP.
(André Magnabosco - InvestNews)