Otimismo com Fed puxa dólar para baixo

SÃO PAULO, 29 de outubro de 2007 - O otimismo global, em meio às perspectivas de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) cortará nesta semana a taxa básica de juros norte-americana para evitar uma desaceleração econômica mais brusca, fez o dólar seguir em tendência de baixa e renova a mínima em mais de sete anos e meio. No fim do dia, a divisa estrangeira cedeu 0,73%, para R$ 1,757 na venda - no menor nível desde 12 de abril de 2000.

Porém, analistas alertam que o comportamento dos preços do petróleo, que hoje bateu novo recorde de US$ 93,2 o barril, pode levar o Fed a fazer uma pausa. Para Silvio Campos Neto, economista do Banco Schahin, o juro dos EUA deve ser reduzido em 0,25 ponto percentual, tanto na reunião de quarta-feira quanto na de dezembro.

O profissional lembra que no exterior o dólar já está antecipando os cortes e vem se depreciando frente as principais moedas. Ante ao euro, atingiu US$ 1,44. Por aqui, o fluxo positivo, que na semana passada foi engrossado pela abertura de capital da Bovespa seguiu firme nesta segunda.

Apesar do clima ameno, os próximos dias reservam eventos que podem alimentar as incertezas. Entre eles, o Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, o relatório de emprego em outubro, e o Índice de Preços relacionados aos Gastos com consumo (PCE) - medida de inflação preferida pelo Fed.

No fim do dia, o Banco Central voltou a comprar dólares no mercado à vista. "A operação minimiza a queda, mas não inverte tendência", comentou Campos Neto.

(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)