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SÃO PAULO - O Dresdner Kleinwort, unidade do banco de investimentos do Dresdner Bank AG, planeja expandir os seus negócios no Brasil, apostando em crédito imobiliário e empréstimos baseados em ativos, afirmou um executivo do banco nesta quinta-feira.
O volume dos empréstimos a consumidores brasileiros deve crescer em relação ao atual nível, que fica entre os menores nos mercados emergentes, conforme as taxas de juros recuarem, disse Peter Geraghty, chefe dos negócios do Dresdner Kleinwort na América Latina.
Os bancos que vendem ativos com base em bônus e outras obrigações de dívida colateralizada, os chamados CDOs, verão um aumento nos negócios na medida em que os empréstimos crescerem, afirmou ele.
- Essa é uma tremenda área de crescimento no futuro previsível', disse ele em uma entrevista. 'Agora nós estamos em um ambiente estável no lado da inflação, estamos vendo as taxas de juros caírem. Acreditamos que esses negócios vão crescer rapidamente.'
A venda de bônus com base em ativos conhecidos como FIDCs saltou para 12,77 bilhões de reais em 2006 em relação aos 200 milhões de reais em 2002, de acordo com a associação nacional de bancos de investimento. As vendas chegaram a 6,15 bilhões de reais neste ano até agosto, na comparação com os 6,48 bilhões de reais no mesmo período do ano passado.
Esses bônus são geralmente apoiados por empréstimos para automóveis e motocicletas, bem como o crédito para aposentados, funcionários do governo e outros empregados que usam parte dos pagamentos como garantia para empréstimos.
O aumento dos empréstimos para consumo abriu o caminho para bancos como Dresdner, Itaú e JPMorgan, que compram empréstimos e os empacotam como CDOs.
O Dresdner, uma unidade da seguradora Allianz, estruturou uma venda de 500 milhões de reais de FIDCs com apoio de empréstimos para automóveis.
As turbulências no mercado de crédito nos últimos meses reduziram temporariamente o apetite por ativos mais arriscados de países emergentes, mas a demanda por bônus de alto rendimento em moeda local já mostraram sinais de uma alta', disse Geraghty.
- A tendência de prazo mais longo não é de ativos em dólar, a tendência é de ativos locais e investidores internacionais desejando a exposição ao câmbio, eles querem os ativos com rendimento mais alto - disse ele.