Agência Brasil
BRASÍLIA - As aprovações de projetos de infra-estrutura pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aumentaram 125% nos últimos 12 meses (agosto de 2006 a julho de 2007), em relação ao mesmo período de 2005 a 2006. Foram aprovados projetos no valor de R$ 35,9 bilhões, o que representa 39% de todas aprovações do banco. E desse total, já foram liberados R$ 19,8 bilhões 23% a mais que no período anterior.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, creditou o aumento expressivo em aprovações e liberações aos projetos incluídos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
- Essas aprovações em infra-estrutura estão relacionadas ao engajamento bastante firme da instituição no PAC - afirmou durante a apresentação do desempenho no primeiro semestre.
O destaque em projetos de infra-estrutura foi o setor de transporte terrestre, que totalizou R$ 11,8 bilhões, sendo R$ 1,9 bilhão para a companhia ferroviária América Latina Logística (ALL); R$ 774,6 milhões para a expansão da Estrada de Ferro Carajás, da Companhia Vale do Rio Doce; e operações para a comercialização de bens de capital (máquinas usadas na produção), no valor de R$ 6,9 bilhões.
O setor de energia elétrica veio em seguida, em volume de recursos aprovados, atingindo R$ 7,2 bilhões, com destaque para R$ 1 bilhão destinados a linhas de transmissão. Em terceiro lugar ficou a área de telecomunicações, com projetos aprovados no valor de R$ 6,2 bilhões, a serem liberados nos próximos meses.
O balanço dos últimos 12 meses apontou ainda a liberação de recursos para micro, pequenas e médias empresas, incluindo pessoas físicas, que atingiu R$ 13,7 bilhões, com aumento de 29% ante o período anterior. Para esse segmento, o número de operações foi de 165,9 mil, com crescimento de 86%.
Coutinho reconheceu que o momento econômico é de volatilidade, influenciado pela crise do sistema imobiliário nos Estados Unidos, que afeta negativamente bolsas e bancos em todo o mundo. Mas disse acreditar que o mercado estará recuperado em outubro ou novembro.
- Está posto que nós temos um ciclo de crescimento e investimento em curso. E como a economia brasileira hoje tem fundamentos bastante sólidos, nós não vislumbramos uma interrupção deste ciclo de investimentos. Mesmo que a turbulência se prolongue um pouco, o que pode acontecer é que as oportunidades de financiamento junto ao mercado de capitais fiquem mais estreitas e haja mais demanda por crédito do BNDES - afirmou.
Entre os motivos que justificam o otimismo do presidente da instituição está o lucro líquido apurado no primeiro semestre, de R$ 4,4 bilhões, superior em 34% aos R$ 3,3 bilhões obtidos em igual período no ano passado. Com isso, o patrimônio líquido chegou a R$ 23,6 bilhões, contra R$ 18,7 bilhões em 2006.
O patrimônio referencial do BNDES (soma do patrimônio líquido mais as dívidas a receber) atingiu R$ 40,5 bilhões, o mais elevado da história da instituição.