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Apesar da aversão ao risco, gestores favorecem ações

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SÃO PAULO, 15 de agosto de 2007 - Embora os gestores de fundos tenham ficado mais avessos ao risco dado o atual momento de instabilidade dos mercado eles seguem acreditando que as ações oferecem valor, especialmente em relação aos títulos. A constatação é da pesquisa mensal com Gestores de Fundos, conduzida pelo banco de investimentos Merrill Lynch.

De acordo com a sondagem, a primeira feita desde a forte alta nos spreads de crédito, cerca de 11% dos investidores institucionais ainda acredita que as ações estão subvalorizadas, enquanto 41% pensam que os títulos estão sobrevalorizados.

No entanto, a turbulência no mercado afetou a percepção dos gestores quanto o crescimento dos lucros corporativos e sobre o desempenho da economia mundial. Mas o que chama atenção é a baixa quantidade de gestores (7%) que acredita em um recessão nos próximos 12 meses.

"Ao que parece, os investidores estão encarando esta turbulência de mercado como uma potencial oportunidade de compra", afirma David Bowers, consultor independente para o Merrill Lynch. "Aparentemente eles estão relutando em ficar fundamentalmente pessimistas com relação as ações já que eles acreditam que a economia mundial poderá se descolar de uma vulnerável economia norte-americana."

A visão geral entre os gestores é que os problemas de crédito estão centrados no setor imobiliário norte-americano, e acreditam que os mercados emergentes estão relativamente atrativos.

A pesquisa de agosto indica uma mudança em favor dos emergentes em detrimento dos ativos norte-americanos. Para 29%, as empresas emergentes oferecem as melhores perspectivas de lucro, tomando assim o lugar da Zona do Euro, que vinha centrando tal visão durante todo o ano de 2007. Outro ponto, os investidores acreditam que a qualidade dos lucros dos emergentes está melhorando em um momento em que a qualidade dos ganhos nos EUA está se deteriorando. Além disso, as métricas de avaliação dos emergentes estão mais atrativas. Apenas 8% acreditam que os ativos emergentes são os mais sobrevalorizados, enquanto 19% indicam tal posição para o mercado norte-americano.

Apesar das incertezas, os investidores seguem favorecendo setores que se beneficiam de movimento cíclicos (energia, matérias-primas e indústria), apesar do menor otimismo quanto as perspectivas de crescimento. Enquanto isso a questão do crédito atingi forte o setor financeiro; 29% estão com posições abaixo da média do mercado em bancos. Em julho o percentual era de 18%.

Pelo segundo mês consecutivo, o ML pediu que os gestores listasse sete riscos potenciais para a estabilidade do mercado, classificando cada um deles conforme seu grau de ameaça. O default de crédito ficou no topo da lista pelo segundo mês consecutivo. Para 78% o crédito representa uma ameaça "acima do normal" para a estabilidade econômica. No mês passado era 72%.

Foram entrevistados 181 gestores, responsáveis por US$ 599 bilhões, entre os dias dois e nove de agosto. A pesquisa é realizada com o auxílio da consultoria Taylor Nelson Sofres.

(EC - InvestNews)