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Argentina retoma produção de urânio após uma década

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SÃO PAULO, 11 de agosto de 2007 - Em meio a uma crise energética que abala todo o país, principalmente o setor industrial, o governo da Argentina decidiu intensificar a retomada da produção de urânio para abastecer suas usinas de energia nuclear, atividade suspensa há uma década. O objetivo, com a decisão, é reduzir os custos de importação do mineral. "Estamos retomando a produção de urânio em uma mina (ao norte) de Salta", explicou Rubén Calabrese, gerente geral da estatal Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA), o órgão que regula a atividade.

A Argentina deixou de extrair urânio em 1998 por decisão do governo de Carlos Menem (1989-99), numa época em que o preço do insumo era de US$ 25 o quilo no mercado internacional, e passou a importá-lo. Nos últimos três anos, e ao longo da crise do petróleo, o valor do quilo de urânio aumentou para US$ 300 e o gasto do país para abastecer as centrais nucleares subiu para US$ 45 milhões por ano.

"A retomada da produção de urânio significa uma economia de divisas importante. Atualmente a Argentina precisa de 150 toneladas de urânio por ano, mas com o plano de expansão nuclear, precisaremos de entre 500 e 600 toneladas por ano em uma década", apontou Calabrese.

Em 2006, o presidente argentino Néstor Kirchner anunciou um plano nuclear, com investimentos de US$ 3,5 bilhões, que previa a conclusão das obras da terceira central atômica, a construção de uma quarta, além de estabelecer a produção de urânio com fins pacíficos.

Desde 1974, a central nuclear de Atucha I, que fica em Buenos Aires, está em funcionamento, assim como a central de Embalse, na província de Córdoba (centro). Juntas, as duas usinas geram entre 7% e 9% da energia elétrica consumida no país, mas o total de abastecimento energético de origem atômica aumentará a 16% quando a usina Antucha II estiver pronta, com previsão para 2010 e 2011, segundo fontes da área. A construção da usina de Atucha II está em andamento desde 1981.

Segundo Calabrese, a mina de Don Otto, localizada em Salta, possui reservas que podem ultrapassar as mil toneladas estimadas.

(Redação com agências internacionais - InvestNews)