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Mercado de crédito volta a assustar

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SÃO PAULO, 9 de agosto de 2007 - Depois de três dias de aparente estabilidade as preocupações envolvendo o mercado de crédito voltaram a atingir as bolsas ao redor do mundo. Depois do Bear Stearns, que perdeu dois fundos em função da crise no segmento de hipotecas subprime, o francês BNP Paribas anunciou o congelamento de três de seus fundos expostos a este mercado.

A notícia traz de volta ao mercado o medo de uma crise generalizada no mercado de crédito e que o problema, antes restrito aos Estados Unidos esteja se espalhando para outros países do mundo.

Na Europa, primeiro mercado a assimilar o anúncio do Paribas, Londres e Frankfurt caem 2,37% e 2,26%, respectivamente. Em Paris, o CAC-40 perde 2,93%. Em Nova York, abertura do pregão foi em forte baixa, com Dow e S&P perdendo mais de 1,2% cada.

A Bovespa também reflete a instabilidade operando em forte baixa. Cerca de dez minutos após a abertura o índice já caia quase 3%. Há pouco, o Ibovespa recuava 2,66%, para 53.750 pontos. Nenhum dos 60 papéis que compõem o índice apresenta valorização.

O BNP suspendeu os fundos, avaliados em US$ 3,79 bilhões, e não permitirá saques até que possa determinar um valor para os ativos que têm em carteira. Os fundos estavam expostos ao mercado subprime (aquele voltado a devedores de alto risco) por meio da securitização de ativos. Os bancos de investimentos fazem um pacote de hipotecas e os pagamentos feitos pelos credores garantem a remuneração das cotas, estrutura semelhante aos Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDC). Como a inadimplência é crescente, cai o fluxo de recebimento.

A falta de liquidez se fez sentir no mercado Europeu. Hoje, o Banco Central Europeu (BCE) emprestou a quantia recorde de ? 94,8 bilhões (US$ 130 bilhões), depois que a demanda por dinheiro puxou as taxas de juros para cima.

Uma reticência em emprestar dinheiro, reflexo direto dos problemas com as hipotecas subprime nos EUA, puxou a taxa overnight dos empréstimos em euro para 4,7% hoje, em comparação com o referencial de 4% estabelecido pelo BCE. A taxa para empréstimos em dólar avançou de 5,35%, para 5,86%.

Por meio de comunicado, o BCE disse que estava provendo fundos de emergia, buscando assegurar as condições no mercado de dinheiro europeu. O banco aceitou 100% das ofertas com taxa de 4%. Esta é a primeira vez desde os ataques de 11 de setembro que tal operação é realizada.

(Eduardo Campos - InvestNews)