Braskem pode rever investimentos no Pais

SAO PAULO, 8 de agosto de 2007 - O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, afirmou hoje que o ritmo e a estrutura dos investimentos da companhia poderão ser alterados caso a Petrobras decida entrar como acionista majoritária do setor petroquímico na região Sudeste. Para ele, esse movimento poderia representar um processo de reestatização do setor, o que criaria incertezas para as empresas.

Um dos pontos delicados para a companhia seria a relação com a Petrobras no controle da Petroquímica Paulínia (SP), da qual a Braskem é acionista majoritária, com 60% de participação, enquanto que a Petrobras detém 40%. "Não poderemos aportar todo o nosso know how e estratégia de negócios caso a Petrobras seja a controladora do player da região Sudeste", disse.

Outros investimentos da companhia, como os previstos para o Rio Grande do Sul e para o Nordeste (Bahia e Alagoas), também poderiam ser revistos justamente em decorrência das incertezas com relação a como seria a atuação da Petrobras no setor caso a estatal se torne o segundo grande player petroquímico do Pais. Um dos pontos ressaltados pelo presidente da Braskem é que a companhia precisaria ter uma posição clara da Petrobras com relação à isonomia nas matérias-primas fornecidas pela Petrobras (nafta, propeno e gás natural) ao setor.

Mesmo levantando algumas dúvidas sobre como ficaria o setor com a atuação mais efetiva da Petrobras na petroquímica nacional, o presidente da Braskem destacou que ele não acredita que este será o cenário a ser apresentado pela estatal aos demais participantes deste mercado. Para ele, o modelo a ser consolidado pela estatal será a formação do pólo da região Sudeste pela Petrobras, como um ´sócio minoritário de relevância´ do grupo, e um parceiro privado como majoritário. O candidato mais provável a ocupar este posto, segundo Grubisich, seria a Unipar, que já e controladora da Petroquímica União (PQU) e é uma das sócias majoritárias da Rio Polímeros (Riopol). A partir de então, a própria Unipar precisaria analisar a necessidade de convidar mais algum grupo a participar do projeto. Essa situação deverá ser analisada ainda hoje, quando representantes da Unipar e da Petrobras poderão se reunir para tratar do assunto.

Definida a situação do pólo petroquímico do Sudeste, a dúvida passaria a ser como ficará a composição do grupo que irá controlar o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), e que por sua vez já conta com a participação prevista da Petrobras, do Grupo Ultra e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é de que o Unipar seja um quarto parceiro do projeto, o que poderia inviabilizar a entrada da Braskem no Comperj, destacam alguns analistas do setor.

Grubisich ressaltou que a Braskem ainda aguarda um relatório da Petrobras com dados mais detalhados sobre o Comperj e não acredita que a formação de uma empresa única para controlar a petroquímica na região Sudeste possa dificultar um eventual ingresso da Braskem no complexo, caso a companhia, após analisar esse material, considere haver atratividade para participar do Comperj.

(André Magnabosco - InvestNews)

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